
Este é um ótimo momento para voltar a atualizar meu blog. Tá, eu sei que já disse isso há alguns meses. Vários acontecimentos já passaram, já foi o Dia do Músico, Dia da Cultura, tudo que eu adoro, e eu não escrevi sobre. Realmente, ter um blog exige disciplina. Tempo para uma postagem sempre é possível arrumar, mas a preguiça não deixou. O fato é que preciso praticar a escrita, e pretendia voltar com tudo em 2010. Mas pq deixar para ano que vem?
Hoje é dia 23 de dezembro, aqui em Governador Celso Ramos (SC) são 23h54. Já é quase véspera de Natal, e eu estou em casa sem NADA para fazer, presa, portanto, não há melhor oportunidade para retornar ao Sem Editoria. Enquanto fico remoendo minha raiva por estar sozinha e não ter ido para lugar algum com meus amigos, encontrei um email perfeito para este post e para expressar o que senti neste dia.
Dentre tantos emails não lidos do gmail, resolvi abrir um com o título "Clarice Lispector". Pelo assunto, se tratando de uma grande escritora, o email devia ser interessante. Abri ao invés de excluí-lo. Foi enviado para mim no dia 07 de novembro e só hoje tomei vergonha na cara para ler, frente à monotonia da minha noite, e não à correria rotineira.
O poema chama "Sinto Saudades". Nada poderia me tocar mais neste momento. Pensei muito nisso hoje a tarde, comentei algo com um amigo. Todo mundo sente saudades de alguma coisa, de algo que aconteceu há muitooooooo tempo, de algo recente, ou de algo que ainda está acontecendo, mas que já deixa sua poderosa marca. Incrível como o poema consegue traduzir cada saudade reprimida, cada saudade esquecida...
Quem não sente saudades quando vê fotografias? Elas são tiradas para registrar os momentos, e quando nos deparamos com as imagens, é como se voltássemos para o passado. Os momentos podem ter sido maravilhosos, e mesmo assim as lágrimas teimam em cair do rosto, pois justamente por terem sido especiais é que sentimos saudades.
Quem não sente saudades quando sente cheiros ou escuta uma voz? Eu, particularmente, tenho olfato muito aguçado para isso. Qualquer essência que tenha marcado época em minha vida, como um shampoo, o perfume de alguém especial, traz à tona diversas lembranças. Se percebo o cheiro de um shampoo que usei em determinada época, não é do banho que irei lembrar, mas sim de tudo que ocorreu quando eu usava aquele shampoo, dos amigos que eu via todo dia, dos locais que eu frenquentava e de todas as sensações dos dias que eu vivia. É normal isso? Não sei, mas comigo acontece!
Saudades da infância...acho que essas são as mais presentes para a maioria das pessoas. Essa é a época em que éramos felizes e não sabíamos e ainda reclamávamos de tudo. Recuperar aqueles momentos nunca será possível, por isso, é preciso vivê-los intensamente, para trazer só as coisas boas para a vida.
"Saudades do presente que não aproveitei pensando no passado e apostando no futuro". Putz! Essa é realmente para matar! Quem nunca viveu e não vive assim mesmo sabendo que não é correto, que atire a primeira pedra! Sempre achamos que o hoje vai melhorar no amanhã, sempre criamos expectativas, choramos as lembranças boas ou ruins e acabamos deixando o presente passar, sem dar muita importância a ele. Mas esquecemos que o presente já foi o futuro esperado um dia, e amanhã será o passado lembrado.
"Saudades de quem me deixou e de quem eu deixei". Esse foi o grande tema na minha mente desocupada de hoje. Fiquei pensando em todos os amigos que preciso rever, todos que já foram tão fundamentais em minha vida, e que hoje longe, continuam sendo saudosos amigos, lembrei da confusão que minha mente faz em já não saber mais da onde conheço tal pessoa e precisar parar pelo menos por dois segundos para fazer a associação: amigos de Bagé, amigos de Floripa, amigos de Cuiabá ou outros...
Mais interessante foi descobrir nesses dias de "férias" em Santa Catarina, que já sinto saudades de algumas coisas e pessoas que deixei em Cuiabá. Isso é incrível. Sete meses em uma cidade que não curto muito, que fiz poucos amigos, mas que já me deixa marcas. Deveria era estar mais feliz ainda por estar de volta à minha última morada, perto da maioria dos meus amigos, e ainda pensando em todos que estão espalhados pelo Rio Grande do Sul e outras cidades. Preciso admitir: estou com saudades! E acho que tudo é cíclico, rotatório, ou ainda como diria Humberto Gessinger:
"Agora que a terra é redonda
E o centro do universo é outro lugar
É hora de rever os planos
O mundo não é plano
Não para de girar
Agora que o tempo é relativo
Não há tempo perdido
Não há tempo a perder
Num piscar de olhos
Tudo se transforma
Tá vendo? Já passou!
Mas ao mesmo tempo
Fica o sentimento
De um mundo sempre igual"
(Além da Máscara - Pouca Vogal)
As músicas dele sempre traduziram bem melhor do que poemas tudo que eu sinto. Elas me tocam muito mais pois além de poesia e realismo, possuem melodia. Perfeita!
Mas voltando à saudade proposta pela Clarice Lispector
"Saudades das coisas que nem sei se existiram". Essa frase é uma das mais certeiras pra mim. Tomando como base uma relação que vivi, que marcou minha vida de forma muito intensa, e que não consigo definir se existiu. Para mim sim, mas tudo ilusório, jamais foi real. Como se explica a saudade de alguém que nunca se tocou, nunca se sentiu, nunca esteve aqui para deixar saudades? Pois é...só algumas pessoas conseguiriam entender. Essa saudade me acompanha e acompanhará sempre tanto quanto a saudade dos amigos, da infância, do cachorro que me amou fielmente, vai estar sempre em mim. Saudades dele, daquele ser tão além imaginação, que ficou tão além da realidade, aquele que sempre vai existir em mim! "Encontrar não sei o que, não sei onde, para resgatar algo que nem sei o que é e nem onde perdi".
Não poderia ser melhor para finalizar esse post...
A conclusão disso tudo nem é preciso falar, todos já sabem, e cada um carrega o seu fardo de saudade. Cabe a cada um aqui interpretar como queira e pensar no que quiser, afinal, cada um tem sua história e cada um sabe o que traz dentro de si. Da minha parte, apenas um desabafo, usando como guia as palavras de Clarice Lispector. Se aliviou o que estou sentindo, ainda não saberia dizer, acho que gostaria mesmo que alguém lesse, de preferência alguém de que eu sinto saudades!
Hoje é dia 23 de dezembro, aqui em Governador Celso Ramos (SC) são 23h54. Já é quase véspera de Natal, e eu estou em casa sem NADA para fazer, presa, portanto, não há melhor oportunidade para retornar ao Sem Editoria. Enquanto fico remoendo minha raiva por estar sozinha e não ter ido para lugar algum com meus amigos, encontrei um email perfeito para este post e para expressar o que senti neste dia.
Dentre tantos emails não lidos do gmail, resolvi abrir um com o título "Clarice Lispector". Pelo assunto, se tratando de uma grande escritora, o email devia ser interessante. Abri ao invés de excluí-lo. Foi enviado para mim no dia 07 de novembro e só hoje tomei vergonha na cara para ler, frente à monotonia da minha noite, e não à correria rotineira.
O poema chama "Sinto Saudades". Nada poderia me tocar mais neste momento. Pensei muito nisso hoje a tarde, comentei algo com um amigo. Todo mundo sente saudades de alguma coisa, de algo que aconteceu há muitooooooo tempo, de algo recente, ou de algo que ainda está acontecendo, mas que já deixa sua poderosa marca. Incrível como o poema consegue traduzir cada saudade reprimida, cada saudade esquecida...
Quem não sente saudades quando vê fotografias? Elas são tiradas para registrar os momentos, e quando nos deparamos com as imagens, é como se voltássemos para o passado. Os momentos podem ter sido maravilhosos, e mesmo assim as lágrimas teimam em cair do rosto, pois justamente por terem sido especiais é que sentimos saudades.
Quem não sente saudades quando sente cheiros ou escuta uma voz? Eu, particularmente, tenho olfato muito aguçado para isso. Qualquer essência que tenha marcado época em minha vida, como um shampoo, o perfume de alguém especial, traz à tona diversas lembranças. Se percebo o cheiro de um shampoo que usei em determinada época, não é do banho que irei lembrar, mas sim de tudo que ocorreu quando eu usava aquele shampoo, dos amigos que eu via todo dia, dos locais que eu frenquentava e de todas as sensações dos dias que eu vivia. É normal isso? Não sei, mas comigo acontece!
Saudades da infância...acho que essas são as mais presentes para a maioria das pessoas. Essa é a época em que éramos felizes e não sabíamos e ainda reclamávamos de tudo. Recuperar aqueles momentos nunca será possível, por isso, é preciso vivê-los intensamente, para trazer só as coisas boas para a vida.
"Saudades do presente que não aproveitei pensando no passado e apostando no futuro". Putz! Essa é realmente para matar! Quem nunca viveu e não vive assim mesmo sabendo que não é correto, que atire a primeira pedra! Sempre achamos que o hoje vai melhorar no amanhã, sempre criamos expectativas, choramos as lembranças boas ou ruins e acabamos deixando o presente passar, sem dar muita importância a ele. Mas esquecemos que o presente já foi o futuro esperado um dia, e amanhã será o passado lembrado.
"Saudades de quem me deixou e de quem eu deixei". Esse foi o grande tema na minha mente desocupada de hoje. Fiquei pensando em todos os amigos que preciso rever, todos que já foram tão fundamentais em minha vida, e que hoje longe, continuam sendo saudosos amigos, lembrei da confusão que minha mente faz em já não saber mais da onde conheço tal pessoa e precisar parar pelo menos por dois segundos para fazer a associação: amigos de Bagé, amigos de Floripa, amigos de Cuiabá ou outros...
Mais interessante foi descobrir nesses dias de "férias" em Santa Catarina, que já sinto saudades de algumas coisas e pessoas que deixei em Cuiabá. Isso é incrível. Sete meses em uma cidade que não curto muito, que fiz poucos amigos, mas que já me deixa marcas. Deveria era estar mais feliz ainda por estar de volta à minha última morada, perto da maioria dos meus amigos, e ainda pensando em todos que estão espalhados pelo Rio Grande do Sul e outras cidades. Preciso admitir: estou com saudades! E acho que tudo é cíclico, rotatório, ou ainda como diria Humberto Gessinger:
"Agora que a terra é redonda
E o centro do universo é outro lugar
É hora de rever os planos
O mundo não é plano
Não para de girar
Agora que o tempo é relativo
Não há tempo perdido
Não há tempo a perder
Num piscar de olhos
Tudo se transforma
Tá vendo? Já passou!
Mas ao mesmo tempo
Fica o sentimento
De um mundo sempre igual"
(Além da Máscara - Pouca Vogal)
As músicas dele sempre traduziram bem melhor do que poemas tudo que eu sinto. Elas me tocam muito mais pois além de poesia e realismo, possuem melodia. Perfeita!
Mas voltando à saudade proposta pela Clarice Lispector
"Saudades das coisas que nem sei se existiram". Essa frase é uma das mais certeiras pra mim. Tomando como base uma relação que vivi, que marcou minha vida de forma muito intensa, e que não consigo definir se existiu. Para mim sim, mas tudo ilusório, jamais foi real. Como se explica a saudade de alguém que nunca se tocou, nunca se sentiu, nunca esteve aqui para deixar saudades? Pois é...só algumas pessoas conseguiriam entender. Essa saudade me acompanha e acompanhará sempre tanto quanto a saudade dos amigos, da infância, do cachorro que me amou fielmente, vai estar sempre em mim. Saudades dele, daquele ser tão além imaginação, que ficou tão além da realidade, aquele que sempre vai existir em mim! "Encontrar não sei o que, não sei onde, para resgatar algo que nem sei o que é e nem onde perdi".
Não poderia ser melhor para finalizar esse post...
A conclusão disso tudo nem é preciso falar, todos já sabem, e cada um carrega o seu fardo de saudade. Cabe a cada um aqui interpretar como queira e pensar no que quiser, afinal, cada um tem sua história e cada um sabe o que traz dentro de si. Da minha parte, apenas um desabafo, usando como guia as palavras de Clarice Lispector. Se aliviou o que estou sentindo, ainda não saberia dizer, acho que gostaria mesmo que alguém lesse, de preferência alguém de que eu sinto saudades!