sexta-feira, 23 de abril de 2010

Observações

Só para variar e não perder o hábito, dei uma sumidinha básica nos últimos meses! Complicada essa vida de blogueira!!! Como estou meio sem inspiração (ou com preguiça de escrever), vou bancar a colunista social e apenas citar alguns tópicos aqui que acredito que mereçam destaque.

Primeiro: Hoje é o Dia Mundial do Livro! Data muito relevante, certamente deve ser citada. Que livro você está lendo atualmente???

Segundo: Ainda em referência à datas comemorativas, muitas já passaram, como carnaval (que só deixou as cinzas), páscoa (que só deixou as gordurinhas), meu aniversário (que só me deixou mais velha), aniversário de Cuiabá (que continua calorenta), aniversário de Florianópolis e São José (que devem ter deixado muita sujeira nas beira-mar), aniversário do meu sobrinho gordo lindo (que me deixou muito feliz), e sei lá quantas milhares de datas foram comemoradas por aí. Ah, ouvi rumores de que ontem foi o Dia do Orgasmo..olha só, até isso merece um dia especial =S

Terceiro: Amanhã tem show do Emerson Nogueira em Cuiabá. Mal posso esperar por todo romantismo que promete (e claro, eu estarei bem acompanhada).

Quarto: Hoje estreia em todo Brasil o filme mais esperado do ano: Alice no País das Maravilhas. Eu particularmente, não aguento mais de ansiedade, faz tempo. Em 3D então, diversão em dobro (ou seria em triplo???).

Quinto: Na quarta-feira (21) descobri que tem um circo montado ao lado do Shopping Pantanal. Adorei! As sessões começam hoje. Pretendo confirmar presença nos próximos dias.

Sexto: Hoje termina a terceira etapa da vacinação contra H1N1, etapa esta voltada a jovens entre 20 e 29 anos. Quem não foi, ainda tem tempo. Corre lá no postinho!

Sétimo: Quero deixar aqui registrada minha indignação com o fato de ter sido impedida de doar sangue ontem. Ficarei pendente por 330 dias. É um absurdo!

Oitavo: O pub Democrata na Praça Popular está bombando nas noites de sábado com o melhor do rock and roll nacional e internacional. Aprovadíssimo!

Nono: E como tudo é belo e maravilhoso na sexta-feira, para fechar o dia e iniciar a noite com chave de ouro, os meninos da Sixtons fazem o tradicional show no Clube de Esquina, também com o que há de melhor do rock...Adoro Muito!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Por que reconhecer o outro incomoda tanto?

Estava lendo o jornal A Gazeta hoje e achei esse artigo interessante, portanto, reproduzo aqui. Para reflexão e não apenas para isso, mas que possa ser colocado em prática.

Por: Claudinet Antônio Coltri Júnior
Ao serem indagados sobre o porquê de não proferirem uma palavra sequer de reconhecimento quando um colaborador faz um bom trabalho, já ouvi de muitos empresário que assim o fazem a fala de que o colaborador acaba por se achar superior, o ego fica alto e o resultado, no fim, é uma crise de clima dentro da organização.

O fato é que há um despreparo descomunal no quesito reconhecimento. Ele é de suma importância para o ser humano. Ser reconhecido é ter a chance de ver novamente. Vemo-nos muito pouco (só quando nos olhamos no espelho - as mulheres se veem mais que os homens, é verdade). Quando alguém nos reconhece, nos vem a sensação de sermos parte, de sermos importantes, de termos valor e, assim, nos possibilita reconheçamo-nos (re-conhecer, ou seja, conhecer novamente). Portanto, quando você reconhece o trabalho
de alguém, o que vale é a criação do ambiente para que a pessoa se encontre.

Por outro lado (somos dois contra a parede e tudo tem três lados, Skank, Três lados), existe aquele (e não são poucos) que veio ao mundo na ânsia de ser Deus (tem o que acha que é e há o que tem certeza). Esse não tem o superego, tem um "teraego". Assim, os empresários não estão de todo errados, pois há pessoas que realmente criam problemas ao ter o seu trabalho enaltecido. Como diz o popular: "Ficam se achando".

Muitas vezes nos deparamos com deturpações conceituais. Priorizamos o novo em detrimento do moderno. O moderno é algo atual, que vale, e que pode ter sido criado há milênios. O novo, nem sempre. O dilema reconhecer ou não reconhecer já era conhecido e tratado pelos romanos, na antiguidade, mas o conceito ainda é válido. Lá, quando um general ganhava uma batalha, seu exército ficava do lado de fora das muralhas enquanto o "chefão" adentrava em direção ao Senado para receber uma bandeja de prata com palmeiras, ou seja, uma salva (bandeja) de palmas. Era uma honra incomparável (tanto que o Domingo de Ramos é a ovação a Cristo com folhas de palmeiras que foram usadas para cobrir o chão por onde Ele passava).

O percurso era feito em uma biga (carro romano puxado por dois cavalos), que era conduzida por um escravo. Por força de lei, a biga era acompanhada por outro escravo que ia a pé e que, a cada quinhentas jardas (aproximadamente 455 metros), tinha que subir na biga e falar ao ouvido do general a seguinte frase: "Lembra-te que és mortal!"

É bom que se diga que cada um de nós não é bom, nem ruim, não é competente tampouco incompetente. Cada um de nós está! Na língua inglesa o ser/estar andam juntos (to be), o que é bom, pois somos (hoje) o que estamos. Mas a língua portuguesa, na riqueza que lhe é peculiar, nos permite ver, ao separar o ser do estar, que podemos mudar, que a situação é de momento. Você pode estar usufruindo o maior sucesso, mas se não cuidar dele, pode entrar em derrocada em pouco tempo (lembra-te que és mortal). Você pode estar vivendo um momento difícil da vida, mas, dependendo das suas atitudes hoje, você poderá em breve se deliciar de novas sensações de sucesso (o futuro muda o tempo todo em função das nossas atitudes de hoje).

Assim, temos que encontrar o equilíbrio entre o lembrarmos que somos mortais quando as coisas estão a nosso favor e, ao mesmo tempo, lembrarmos que somos centelha (fagulha, faísca, uma parte de) divina. Há os que acham que são mais do que são. Há os que acham que são menos do que são. É preciso equilibrar o que você é com o que você pensa que é. Pessoas que encontram esse caminho do meio são mais felizes.

Minha sugestão aos empresários é que contratem alguém para berrar, que seja, no ouvido do seu colaborador que acha que o mundo gira em torno dele, o "lembra-te que tu és mortal". O investimento vale a pena, visto que a maioria de seus colaboradores está esperando um simples: "muito bom trabalho!" para poderem sair do extremo "eu não valho nada", irem ao meio "eu sou útil" e, assim, obter maiores resultados. Reconheça-se (e lembra-te que é mortal!). Reconheça o outro (mesmo tendo que lembrá-lo, também, que ele é mortal!).


Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br
- E-mail: junior@coltri.com.br - Twitter: http://twitter.com/coltri

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Show de mau gosto em playback

Tive o desprazer de assistir um bloco do Altas Horas no último sábado (06.02) e confirmar algo que eu já sabia. Deixe-me explicar: não é desprazer algum assistir ao Altas Horas, pelo contrário, como o slogan já diz: vida inteligente na madrugada! Porém, entre os tantos convidados interessantes que circulam por lá, no final de um dos blocos o Serginho chamou a estrela internacional Beyoncé.

Ridículo terminar meu sábado assistindo àquela mulher igualmente ridícula dançando em estilo Eguinha Pocotó. Sei que frente aos homens não tenho argumento algum: ela tem um corpão e eles adoram, jamais vão achar a morena ridícula. Algumas mulheres, levadas pelos modismos musicais também encontram atrativos na cantora. Será que só eu penso de outra forma? Será que só eu enxergo o quanto ela é de extremo mau gosto?!
Se eu comentar que ela estava cantando de playback piora a situação. Enquanto ela fingia mostrar todo seu potencial vocal, um vento levantava o vestido já levantado, (aliás, não era um vestido aquilo porque não escondia nem as dobrinhas da bunda) e os cabelos loiros tão ridículos quanto ela, que por sinal estavam alisados (no Fantástico vi as imagens do show no Rio e os cabelos estavam crespos, melhores que o liso falsificado).

Não bastasse esse festival de baixaria, a cantora tão famosa e premiada ficava batendo na bunda, como na época em que um certo funk fazia sucesso por aí. Me salvem dessa banalização da música ruim, sem conteúdo, e com apologia a tudo que não presta! Será que a Eguinha Pocotó não morreu???

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Absurdo: reajuste de salário para ministros

É triste abrir o jornal e saber que os ministros do Supremo Tribunal Federal ganharam reajuste de salário que beira os R$ 27 mil. Gostaria de saber o que de tão importante eles fazem para atingir um valor desses! Não querendo desmerecer a competência e o estudo dos nobres ministros, mas isso é um absurdo. Em setembro já haviam recebido aumento e agora outro... E o pior: ainda ficaram reclamando, queriam 14,09% de acréscimo; conseguiram "apenas" 8,88%.

Não me interessa se eles definem os rumos da política, da sociedade, da economia, se atuam em conjunto para o "bem da Nação". Isso não me convence! Muita gente que não tem um décimo desse salário depositado todo mês em sua conta bancária faz muito mais em prol da sociedade que os queridos ministros. Cidadãos, pessoas batalhadoras, de caráter, que no dia a dia tomam decisões profissionais e familiares, que educam os filhos, praticam filantropia, dedicam seu tempo a cuidar de crianças abandonadas, de idosos, de necessitados...esses sim, são os que movimentam verdadeiramente as estruturas de um país. São eles que fazem a diferença e não pessoas iguais ao Gilmar Mendes, que acreditam cegamente e dizem que jornalista não precisa ter diploma porque não tem conhecimento técnico (é isso que ele vai fazer lá?).

Enquanto o presidente do Supremo gasta seu tempo analisando essa questão, há pessoas do lado de fora sobrevivendo e sustentando famílias com um mísero salariozinho de R$ 500. E olhe lá os que ainda têm isso. Conheço gente que vive com menos! Não satisfeito, o excelentíssimo procurador-geral da República também levou uma fatia do bolo dos que alcançam o teto salarial. Cuidado, senhores, a cabeça de vocês já está batendo no teto, não dá mais pra subir nesse momento!

domingo, 24 de janeiro de 2010

No Meio de Tudo, Você!!!

Estranhas as sensações do final de semana, não é?! Por mais que esteja feliz, por mais que a semana ou o sábado tenham sido legais, produtivos, divertidos, sempre acordo com uma sensação estranha, principalmente no domingo, quando tenho a TPS - tensão pré segunda. No sábado acordo com um pensamento que pode mudar, variar ou permanecer ao longo do dia. Domingo bate aquela angústia incontrolável e a certeza de que o "findi" não rendeu. Em meio à tantas coisas que precisava fazer, parei pra assistir o último DVD que os Engenheiros do Hawaii lançaram, Novos Horizontes (2007).

É fato que todas aquelas músicas e poesias do Gessinger me tocam profundamente. Isso é incontestável, sempre foi. Destaque para a canção No Meio de Tudo Você. A letra relata a realidade atual, que faz com que fiquemos surpreendidos com as coisas boas da vida, como se isso fosse demais pra nós. Chegar em casa quase vivo, liberdade de escolha, honestidade... Tudo isso não deveria ser normal? Não deveria ser algo que merecemos?

Estamos tão acostumados ao sistema, ao dia a dia, à possibilidade de não voltarmos pra casa depois do trabalho, que ter um pouco de silêncio e um copo de água pura se torna algo imensurável. Parece que tudo que temos/conquistamos é demais, é o máximo. Alguém já parou pra pensar que a gente "entra na fila pra comprar ingresso pra levar porrada"? É como se fechássemos os olhos para as hipocrisias. "Finge que não vê, diz que não foi nada e leva mais porrada".

O lado bom da música, que também é muito real, é que sempre há alguém para nos salvar dessa selva de pedra. Uma pessoa apenas, um sorriso, uma palavra de conforto, podem nos fazer acreditar que o mundo é mais justo (mesmo que não seja). Feliz de quem tem essas pessoas por perto para amenizar as cargas negativas que carregamos. Sem mais palavras para o momento, resta apenas dizer: No meio de tudo você me salva da selva; no meio de tudo, acima de tudo, você!!!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O Anjo das Pernas Tortas


Há exatos 27 anos o futebol brasileiro perdia um grande astro. Morria em 20 de janeiro de 1983 o Garrincha. Embora eu e toda galera da nossa geração nem estivesse pensando em nascer ainda, certamente todo mundo já ouviu falar dele. O cara ficou conhecido pelo futebol-arte e pelas pernas tortas: a esquerda era seis centímetros mais curta que a direita e flexionava para o lado direito.


Mesmo com esse defeitinho, proporcionou momentos de grandes alegrias para os torcedores do Botafogo, Corinthians e Flamengo, e claro, para toda noção que ama o futebol e o Brasil, afinal, esteve presente em três Copas do Mundo (conquistou duas). O craque faleceu aos 49 anos em decorrência do alcoolismo. Como dizia Cazuza "meus heróis morreram de overdose". Nada é perfeito né, galera?! E aqueles que fazem a alegria da massa e dão o exemplo de como levar uma vida saudável, pois esporte é fonte de saúde, às vezes decepcionam.


Aproveitando o assunto, hoje saiu uma lista com os melhores técnicos do mundo, e o nosso Felipão (infelizmente gremista, mas a gente perdoa) está lá entre os TOP 10. Com 38 pontos na escalação da Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol, Luiz Felipe Scolari ficou em 9º lugar. O primeiríssimo lugar ficou com Alex Ferguson Escócia, técnico do Manchester United.


E o Brasil não fez feio, não, afinal, se não fosse assim não seria o país do futebol, não é?! Parreira assumiu a 17ª colocação, Dunga ficou em 19º, Zagallo em 22º e Wanderley Luxemburgo ainda conseguiu dar o ar da graça com a 38ª posição. É..parabéns, moçada!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Animais: fontes de felicidade

Os personagens ao lado estão entre as minhas maiores paixões. Esses da foto especificamente são simbólicos, apenas representam duas espécies de animais que eu gosto muito. Hoje eu quero falar deles.

Ontem fui caminhar no Parque Mãe Bonifácia, local onde ainda é possível respirar um pouco de ar puro, acelerar o metabolismo e ter a agradável surpresa de se deparar com alguns bichinhos. Em geral, vejo por lá uns simpáticos macaquinhos, mas ontem encontrei um animal doméstico, que destoa da paisagem.

No meio da trilha onde o pessoal corre, caminha ou passeia, avistei um gatinho preto, menor que a minha garrafa de água. Como uma apaixonada enlouquecida, tive que parar para fazer um carinho. Preto, pêlos arrepiados pela chuva e cara de assustado. Certamente, fora abandonado ou estava perdido nas bandas de lá, embora alguém tenha insistido em dizer que ele pertencia ao prédio ao lado. Duvido!

O fato é que meu coração se corta ao ver tal cena. Sempre fui fraca pra isso, ainda mais considerando o tamanho do bicho, indefeso, que não teve tempo suficiente para aprender a sobreviver nesse mundo cruel e competitivo. Se eu pudesse, levaria comigo, nem que fosse para dar uma voltinha no parque, e deixaria ele de volta no lugar, mas a sensibilidade me pegaria, e eu me apegaria. Infelizmente não posso levar para casa, cuidar e criar.

Depois de ir embora, contei algumas histórias de infância pro meu amigo, todas envolvendo as peripécias com gatos e cachorros, histórias que justificam minha paixão, meu apego. À noite ao falar com minha mãe, fiquei sabendo que ela (coração sensível também) já adotou mais dois gatos que apareceram em casa. O animal vai chegando, chegando, e quando vemos, já está lá, fazendo parte da família. Acho que não há dúvida que puxei à mãe!

Esse gatinho inocente e tantos outros animais que estão na rua atualmente, só comprovam a falta de preocupação do ser humano. Por mais difícil que seja criar um "mundaréo" de bichos, alimentar e evitar a reprodução desenfreada dos mesmos, abandonar um ser vivo na rua é muita falta de amor. Se não tiver como criar, procure alguém interessado em adotar, sempre tem gente com interesse. Só não procure meios de se livrar de uns seres tão fofos e companheiros, que verdadeiramente demonstram afeto e amor por quem os cria. Esses animais fazem a alegria das pessoas, alegram as casas, os filhos, ocupam o lugar deles no espaço e sabem recompensar aqueles que os alimentam e os deixam viver. Respeite os animais e faça tudo que puder pela sobrevivência deles! Falei???

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Mãe, esposa, profissional, empresária e amiga: mulher moderna

Ela é tudo isso e mais um pouco! As linhas a seguir jamais traduzirão toda sua essência, mas para quem não a conhece vão passar uma breve ideia da leveza e profissionalismo com que pauta sua vida; quem conhece, vai enxergá-la exatamente como é: sorte sua!

Estou falando da jornalista Paola Carlini (que por sinal é minha chefe). Nem todos acreditam em destino, mas o meu já estava traçado, e ela estava lá para me conduzir pelos caminhos profissionais. Nesses sete meses, tem me dado a oportunidade de crescer, e não tenho desperdiçado. A interrogo e observo, pois admiro a forma como encara o dia a dia, o trabalho, a casa, a família, o lazer...

Na entrevista de emprego, em uma quarta-feira, falou que iria entrevistar outras pessoas e na sexta daria o retorno, para início na próxima segunda. Naquela mesma noite de quarta me ligou dizendo: "Você começa amanhã, fui com a sua cara mesmo, espero não me arrepender". Hoje é ela que não vive sem mim...hehehe. "Puxa saquismos" e modéstias à parte, Paola é conhecida, respeitada, ótima mãe, esposa e hoje, minha amiga, adora dar uns conselhos para quem vive uma fase que ela já viveu.

Mal humor? Desânimo? Nunca vi. Às vezes estressada, mas nunca comigo (graças a Deus), mas convenhamos, em alguns momentos é preciso soltar o verbo, portanto, a irritação não é nada que mude seu tom.

Conheça um pouco mais dessa gaúcha, moradora de Cuiabá, na entrevista a seguir (que reproduzi do site do Sindicato dos Jornalistas de MT). As perguntas idealizadas por Keka Werneck entrarão para um livro em breve, que reunirá outros jornalistas do estado. Minha chefe estampada em páginas que futuramente serão fonte de pesquisa e história, registrando-a assim, na posteridade. Quem pode, pode, quem não pode corre atrás! Eu tô indo...





A Paola recém-formada em jornalismo e a Paola de hoje têm muita diferença entre elas? Quais?

Sempre fui muito determinada e intensa no que faço, sempre soube o quis e nunca deixei (nem meus pais) ninguém dizer que eu não podia fazer aquilo ou isso, que não tinha capacidade. A intensidade continua a mesma. Mas percebo ao longo dos anos que a recém formada era muito ideológica, era romântica, receio que todos saem assim dos portões principalmente de um UF. Hoje sou mais pragmática, mais centrada. E 10 vezes mais determinada. Se tem algo que carrego comigo, desde sempre, é o prazer e alegria de fazer o que faço, em tudo. Sou muito grata ainda em ter trabalhado em redação de impresso. Carrego a experiência de repórter. Até hoje, como pessoa e como profissional. Ter tido a chance de conhecer tantas histórias tão distintas me deu um senso de justiça que jamais poderia ter desenvolvido de outro modo.

O que leva um jornalista a montar a própria empresa?

Venho de uma família de empreendedores, meu avós, meu pai, sempre tiveram seu próprio negócio. E as coisas foram acontecendo, a princípio a empresa foi montada com quatro sócios, depois ficaram duas. No entanto, penso que só eu queria a empresa. Fui comprando a parte de cada um até a maior parte, como tenho hoje, mas tenho uma sócia, a Ana Assumpção, que começou como minha estagiária. Acho que a idéia de construir algo e ser reconhecida no que faço me move todos os dias. Apesar dos impostos, custos altos para micro empresa...enfim...

Diploma de jornalista tem algum valor? Para quê? Você defende ou não a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo?

Em absoluto, sou completamente favorável ao diploma. Defendo até o fim. Ué! Pra ser jornalista não tem que estudar? Rasgaram todos livros. Vamos fazer a revolta dos burros dos que acham que sabem escrever. Centenas de profissionais escreveram livros, publicaram teses, todos elocubram até hoje como se dá o processo Mensagem e Meio e vem um dizer que não tem que estudar pra isso! Só quem exercita todos os dias a arte de escrever e transmitir sabe o quanto é difícil levar uma idéia ou informação a determinado público.

A convergência das mídias traz mais benefícios ou prejuizos para a divulgação das ideias?

Penso que hoje vivemos uma revolução de opções de acesso à informação, que hoje são dispostas das mais diversas formas com imagem, texto e ilustração. E retroceder este cenário é com certeza restringir a divulgação das idéias.
Ano que vem tem eleições, você sempre vota? É contra o voto nulo? Haverá bons candidatos para votarmos?

Sempre voto e, como já trabalhei em várias campanhas eu avalio o candidato pela vida pregressa e pela consistência das propostas. Voto nulo totalmente contra. Pra criticar ou pedir e exigir tem que exercer seu poder de escolha votando! Ai ai...Bons candidatos, tá dificil! Gosto do perfil empreendedor de uns, já trabalhei pra eles. Mas honestamente não suporto o PSDB e nem quem tem mais de 20 anos no poder. Homem correto, que a sua maneira carregou uma bandeira e foi com ela até o fim foi o senador Jonas Pinheiro, trabalhei com ele e pude notar como este homem conhecia o Mato Grosso.

Você lê qual ou quais revistas? E por quê?

Leio os três jornais de MT e sites todos dias. Revista Época, porque preciso me inteirar de algo nacional semanalmente. Leio Você SA, por que, como empresária, preciso ler sobre gestão, investimento, RH, custos, administração enfim o que move a empresa. E Marie Claire, Vogue por que tenho clientes nesta área e adoro estas futilidades!!

Mato Grosso é um estado promissor ou uma parte disso é marketing?

Nunca tive dúvidas, desde a época em que era estudante, que era aqui que eu ia ganhar dinheiro! Parece ter conotação gananciosa esta minha frase. Mas pra mim é paixão! Gente, o que alimenta o PIB brasileiro? Vender manufaturado? Ou vender soja, algodão commodity? Onde isso é produzido? Em Mato Grosso! Eu que vim do Sul, na época em que meu pai se mudou pra Jaciara, início da década de 80, todos do RS já falavam que MT era a terra do desenvolvimento. O RS, apesar de ter milhares de agricultores, não tinha área pra plantar. O Centro Oeste tinha área de terra fértil, extensa e pronta pra trabalhar. Eu vivo aqui desde criança, sempre vivi em fazenda e vejo como isso transforma sua região. Tive a oportunidade de conhecer 96 municípios de MT, e não tenho dúvidas: o que se planta no interior gera emprego na cidade. Digo que o Estado cresceu em razão da produção agrícola, porque fiz dois anos de Assessoria pra Agrishow Cerrado 2005 e 2006 e tenho clientes na área de agro. Pude comprovar que a imprensa nacional só escreve sobre isso quando MT tem algo a falar, quando a produção vai bem, preço cai, preço sobe, chove ou há crise internacional. Quem diz o contrário ou não conhece a história onde vive, ou só conhece terra debaixo da unha, ou ainda é mais um alienado de esquerda que só fala de problema e não tem capacidade de apresentar solução.

Qual é o principal problema social no bairro onde você mora?

Depois que me tornei mãe - meu Deus como isso transforma a gente! - o que mais me revolta é o abandono das crianças, falta de escolas e principalmente de creches. Hoje ajudo algumas creches e, nós, da Ícone, assessoramos o Projeto Via Lactea, que ajuda mães carentes no processo de amamentação e deve se tornar o primeiro banco de leite de MT.

Qual das sete artes - literatura, pintura, música, teatro, escultura, dança e cinema - você mais aprecia?

Adoro ler, mas a Valentina ocupa todo o meu tempo de leitura, hoje eu leio pra ela. E adoro cinema. Mas a música define e inspira todas as etapas da minha vida.

Quando você sente cheiro de chuva, isso te lembra o quê?

Infância, felicidade..... Em Cuiabá .. alívio.....

Aborto é crime?

É ..se não quer ter filho, use contraceptivo. Óbviooooooo.

A família deve ser liberal ou autoritária?
Um misto dos dois. Pra ter direitos tem que ter deveres. A recompensa do cumprimento dos deveres é a liberdade, bem dosada. Fui educada assim e será como meus filhos serão educados.

Camisinha incomoda na hora da transa?

Não tem essa de incomodar: é fundamental.

A melhor matéria tem quais elementos?

O que, onde, como, quando, por que e uma aspas com uma boa dosada de provocação, na curiosidade do leitor em saber mais. Na comunicação corporativa, você tem que alimentar o repórter e por consequência o leitor de noticias que levem a outras.

Os jornais mentem quanto: numa escala crescente de 0 a 10?

Difícil e comprometedora. Falo com editores e repórteres todos os dias. Acho que não tem essa de mentira. O que ocorre são as “interpretações” levadas pela linha editorial.

Você é do tipo que se incomoda com tudo que anda errado ou mais desligada?

Me incomodo. No dia que parar de me chatear com o que vejo de errado,seja em um buraco na rua ou um escândalo político, me interna porque não tô bem!

Qual é o mal deste século?

A Intolerância e o egoísmo em todas as escalas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Se a vida começasse agora, se o mundo fosse nosso de vez...

Planeta Atlântida, 14 anos agitando o Sul do Brasil

Rock in Rio: vem mais por aí...
Rei do Rock, certamente fazendo alguns shows pra galera lá de cima

Pois é, pessoal, de novo meu blog ficou largado às traças, mais uns dias que a mãe desnaturada fica longe do filho...De qualquer forma, o mundo não para de girar, os fatos não param de ocorrer, e as informações chegam a todo segundo. 2010 entrou com força total, cheio de perspectivas, notícias positivas para a economia brasileira e marcos importantes. Para mim, na verdade, começou com um "senhor" congestionamento sentido Floripa - Curitiba. O "pequeno" atraso de 4h resultou na perda do voo que me traria de volta à Cuiabá, e uma consequente viagem de quase 27h. Acontece! O importante é que sobrevivi.

Passadas essas primeiras emoções (nada boas na minha opinião, pois desencadearam desespero e cansaço), a vida continuou, a rotina retornou e as pessoas seguem caminhando a passos largos (pelo menos a maioria). Algumas datas dessa primeira quinzena de janeiro chamam atenção, a saber:

  • O Rei do Rock, indiscutivelmente, Elvis Presley, faria 75 anos caso estivesse vivo. Infelizmente já ocupou seu lugar no ceú há 33 anos. Acredito eu que ele ainda faça alguns shows por lá, para animar a galera da vida eterna, afinal, sem música não dá pra viver (ou morrer). Enfim..o fato é que o músico partiu antes mesmo de eu nascer, e até hoje é uma fonte rentável, vende diversos LPs e CDs e a empresa que administra tudo isso continua lucrando muito às custas do sucesso que o cara fez enquanto estava por aqui. Eu, particularmente, sou a favor, afinal, quem curte o som dele, não vai deixar de curtir porque ele se foi e certamente, continua adquirindo os discos e toda gama de produtos fabricados (até uma barbie alusiva será lançada, acreditam?).
Milhares de fãs no mundo inteiro prestaram homenagem a ele na última sexta-feira, 08. E o sucesso do Rei também é algo indiscutível. Os números de vendas, publicações, fã clubes, etc são gigantescos e comprovam por que ele é considerado um artista mais consagrado até mesmo que os Beatles. Charme e estilo copiados por todos os cantos eram marcas registradas de Elvis. Ainda hoje é possível ver por aí diversos covers do músico.

Eu só fico aqui pensando como seria se eu tivesse vivido naquela época. Os cenários rondam o imaginário de muita gente. E se eu tivesse sido uma das inúmeras mulheres que passaram pela vida dele? Ia ter história para contar, com certeza. Fico pensando também como seria se ele estivesse vivíssimo ainda. Não sei se teria tanta disposição pro palco, pra dançar e se produzir tanto, mas que ía animar a galera e levar muita alegria aos fãs, certamente ía.
  • Bom...fazendo história aí também o maior festival de música do Brasil, o Rock in Rio, que completou 25 anos da primeira edição, na segunda-feira, 11. O evento, que mais parecia uma insanidade do idealizador Roberto Medina, acabou reunindo 150 mil pessoas por noite (foram dez dias de festival) e passou o público registrado no lendário festival de Woodstock em 1969. Não é brincadeira né?! Quem pode, pode.

E o fato é que a ideia deu certo e sete edições da festa já ocorreram, não se limitando apenas ao Brasil. O país de origem sediou três, Portugal outras três e a Espanha uma edição. Rock in Rio conquistando o mundo... E não foram poucas as figurinhas que por aqui passaram, não. Iron Maiden, Queen, AC/DC, Scorpions e Ozzy Osbourne foram alguns dos nomes que tornaram a festa o maior sucesso.

A previsão é que o festival retorne para o berço em 2012. Os apaixonados pelo agito mal podem esperar a confirmação e aposto que já começam os preparativos e planejamentos para marcar presença. Especulações dão conta de que talvez o mega evento não se realize no Rio de Janeiro, mas sim, em São Paulo. É esperar para ver!

E as reclamações quanto à escalação das bandas já começam a aparecer. Como em tudo que diz respeito à comercialização, nesse caso não é diferente: querem chamar o que o povão gosta de ver, o que vende, sendo assim, aparecem uns seres que nada tem a ver com rock and roll. Lembrando que o público do rock é fiel, portanto, não deixa os ídolos de lado para curtir modinhas. Eu ouvi falar em Xuxa no Rock in Rio??? Deprimente...

  • E para fechar a primeira quinzena de janeiro com chave de ouro, outra data importante. No circuito musical brasileiro há quase 15 anos o maior festival do Sul do país, o Planeta Atlântida. Começa amanhã a edição catarinense, em Floripa, meu antigo porto, e até sábado inúmeras atrações passam pelos palcos da festa de verão.

Esse eu conheço um pouquinho melhor, já tive a oportunidade de prestigiar nos anos anteriores e infelizmente, não poderei estar presente desta vez. Nem tudo é possível, não é?! Mas de qualquer forma, acompanho tudinho à distância. Nada como estar lá e sentir na pele, não sou apenas uma mera reprodutora do que leio e ouço falar. Mas sim, tenho o meu olhar e posso relatar coisas que nem todos observam.

Planeta é mágico e aguardado o ano inteiro por quem aprecia o festival. Mas a galera também anda reclamando muito aí das atrações. Está cada vez mais popular, e cada vez menos rock and roll. Só Vitor e Léo ou Ivete Sangalo que conseguem levar 40 mil para o parque Planeta? Eu espero que não, e deixo aqui a dica para que a essência do festival não se dissolva e ele não perca o público alvo: chamem Nando Reis, Titãs, Frejat e gente desse naipe para tocar. Sertanejo e pagode não são a cara do Planeta!

Mês que vem o festival está chegando no Rio Grande do Sul também, local onde iniciou as atividades em 1996. Galera de Atlântida e arredores terão duas noites para curtir tudo de bom que a vida tem a oferecer. É isso aí...o Sol brilha no mar e reflete...Na esperança por dias melhores!!!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Entra ano e sai ano...


O ano de 2009 se despediu, para alguns em grande estilo, para alguns com estilo e para outros com poucas ou nenhuma coisa boa na bagagem. Cada um com seus problemas e alegrias fez uma avaliação do ano que passou (ou não fez), pensou o que deve consertar ou manter para 2010. Enfim...no final de ano atitudes como essa são recorrentes.
No entanto, eu com minha pouca meditação (que deveria ter feito, mas não fiz), sempre lembro de uma música do Humberto Gessinger que faz referência a isso. Na composição "A Revolta dos Dândis I", do disco "A Revolta dos Dândis", de 1987 (por coincidência, ano em que nasci), o músico cita: entra ano e sai ano, sempre os mesmos planos".
A letra toda da música me prende, e esse verso em especial significa muito para mim. Planos para o próximo ano, práticas para o próximo mês, dietas para a próxima segunda-feira. Quem não faz isso? Sempre adiamos o que podemos concretizar em breve. Inclusive algo já foi mencionado no post anterior ao falar da saudade. Quem verdadeiramente muda os objetivos? Para isso acontecer é preciso realizá-los sempre, para que no outro ano, haja espaço para novos sonhos e conquistas. Mas algumas pessoas continuam a bater na mesma tecla. Acredito que isso aconteça porque lá pelo mês de maio/junho é como se tudo tivesse ficado muito para trás, e aquela empolgação inicial já tenha acabado e sido esquecida: não é mais preciso realizar os desejos ou as promessas, já se começa a pensar nos próximos, tudo parece perdido!
Não podemos esquecer que até dezembro ainda é tempo de correr atrás dos objetivos e terminar o ano com a sensação de dever cumprido, de meta alcançada, afinal, poucas coisas dão mais prazer do que isso, seja no âmbito profissional, pessoal ou em qualquer outro. Realizar sonhos, conquistar coisas e também pessoas é peculiar do ser humano. Não seria preciso esperar um ano se iniciar para tanto, mas ele serve como um marco, um momento decisivo, de renovação. Dessa forma, defendo que fazer tais planos é sim necessário. "Onde quero chegar? Onde quero estar quando 2010 acabar? Como pretendo que seja minha vida até lá?". Essas perguntas serão guias para os passos e caminhos trilhados ao longo do ano. Estabelecer metas, prazos para si mesmo e a certeza de que todos serão alcançados, estudar meios para que isso aconteça...
Embora eu seja muito fã das composições do Gessinger, eu diria para que ninguém se utilize da ironia desse verso e faça os mesmos planos a cada ano, e sim, conquiste todos, para buscar novos no próximo. Os objetivos e os sonhos são motivadores da vida. Crie os seus! Pegue uma caneta e um papel e anote tudo que deseja para 2010. À medida que for conseguindo, vá riscando. A alegria será maior ao chegar no final do ano e ver que tudo já foi riscado, conquistado. Mérito seu! Se preferir, não anote, guarde na mente, mas faça os seus planos, seja orando, seja pulando as sete ondinhas e pedindo para Iemanjá, seja com os grãos da lentinha...a superstição cabe a cada um, mas não deixe de sonhar, e mais impotante: não deixe de realizar!
Feliz 2010!!!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Saudades de Clarice Lispector


Este é um ótimo momento para voltar a atualizar meu blog. Tá, eu sei que já disse isso há alguns meses. Vários acontecimentos já passaram, já foi o Dia do Músico, Dia da Cultura, tudo que eu adoro, e eu não escrevi sobre. Realmente, ter um blog exige disciplina. Tempo para uma postagem sempre é possível arrumar, mas a preguiça não deixou. O fato é que preciso praticar a escrita, e pretendia voltar com tudo em 2010. Mas pq deixar para ano que vem?

Hoje é dia 23 de dezembro, aqui em Governador Celso Ramos (SC) são 23h54. Já é quase véspera de Natal, e eu estou em casa sem NADA para fazer, presa, portanto, não há melhor oportunidade para retornar ao Sem Editoria. Enquanto fico remoendo minha raiva por estar sozinha e não ter ido para lugar algum com meus amigos, encontrei um email perfeito para este post e para expressar o que senti neste dia.

Dentre tantos emails não lidos do gmail, resolvi abrir um com o título "Clarice Lispector". Pelo assunto, se tratando de uma grande escritora, o email devia ser interessante. Abri ao invés de excluí-lo. Foi enviado para mim no dia 07 de novembro e só hoje tomei vergonha na cara para ler, frente à monotonia da minha noite, e não à correria rotineira.

O poema chama "Sinto Saudades". Nada poderia me tocar mais neste momento. Pensei muito nisso hoje a tarde, comentei algo com um amigo. Todo mundo sente saudades de alguma coisa, de algo que aconteceu há muitooooooo tempo, de algo recente, ou de algo que ainda está acontecendo, mas que já deixa sua poderosa marca. Incrível como o poema consegue traduzir cada saudade reprimida, cada saudade esquecida...

Quem não sente saudades quando vê fotografias? Elas são tiradas para registrar os momentos, e quando nos deparamos com as imagens, é como se voltássemos para o passado. Os momentos podem ter sido maravilhosos, e mesmo assim as lágrimas teimam em cair do rosto, pois justamente por terem sido especiais é que sentimos saudades.

Quem não sente saudades quando sente cheiros ou escuta uma voz? Eu, particularmente, tenho olfato muito aguçado para isso. Qualquer essência que tenha marcado época em minha vida, como um shampoo, o perfume de alguém especial, traz à tona diversas lembranças. Se percebo o cheiro de um shampoo que usei em determinada época, não é do banho que irei lembrar, mas sim de tudo que ocorreu quando eu usava aquele shampoo, dos amigos que eu via todo dia, dos locais que eu frenquentava e de todas as sensações dos dias que eu vivia. É normal isso? Não sei, mas comigo acontece!

Saudades da infância...acho que essas são as mais presentes para a maioria das pessoas. Essa é a época em que éramos felizes e não sabíamos e ainda reclamávamos de tudo. Recuperar aqueles momentos nunca será possível, por isso, é preciso vivê-los intensamente, para trazer só as coisas boas para a vida.

"Saudades do presente que não aproveitei pensando no passado e apostando no futuro". Putz! Essa é realmente para matar! Quem nunca viveu e não vive assim mesmo sabendo que não é correto, que atire a primeira pedra! Sempre achamos que o hoje vai melhorar no amanhã, sempre criamos expectativas, choramos as lembranças boas ou ruins e acabamos deixando o presente passar, sem dar muita importância a ele. Mas esquecemos que o presente já foi o futuro esperado um dia, e amanhã será o passado lembrado.

"Saudades de quem me deixou e de quem eu deixei". Esse foi o grande tema na minha mente desocupada de hoje. Fiquei pensando em todos os amigos que preciso rever, todos que já foram tão fundamentais em minha vida, e que hoje longe, continuam sendo saudosos amigos, lembrei da confusão que minha mente faz em já não saber mais da onde conheço tal pessoa e precisar parar pelo menos por dois segundos para fazer a associação: amigos de Bagé, amigos de Floripa, amigos de Cuiabá ou outros...

Mais interessante foi descobrir nesses dias de "férias" em Santa Catarina, que já sinto saudades de algumas coisas e pessoas que deixei em Cuiabá. Isso é incrível. Sete meses em uma cidade que não curto muito, que fiz poucos amigos, mas que já me deixa marcas. Deveria era estar mais feliz ainda por estar de volta à minha última morada, perto da maioria dos meus amigos, e ainda pensando em todos que estão espalhados pelo Rio Grande do Sul e outras cidades. Preciso admitir: estou com saudades! E acho que tudo é cíclico, rotatório, ou ainda como diria Humberto Gessinger:

"Agora que a terra é redonda
E o centro do universo é outro lugar
É hora de rever os planos
O mundo não é plano
Não para de girar
Agora que o tempo é relativo
Não há tempo perdido
Não há tempo a perder
Num piscar de olhos
Tudo se transforma
Tá vendo? Já passou!
Mas ao mesmo tempo
Fica o sentimento
De um mundo sempre igual"

(Além da Máscara - Pouca Vogal)

As músicas dele sempre traduziram bem melhor do que poemas tudo que eu sinto. Elas me tocam muito mais pois além de poesia e realismo, possuem melodia. Perfeita!

Mas voltando à saudade proposta pela Clarice Lispector

"Saudades das coisas que nem sei se existiram". Essa frase é uma das mais certeiras pra mim. Tomando como base uma relação que vivi, que marcou minha vida de forma muito intensa, e que não consigo definir se existiu. Para mim sim, mas tudo ilusório, jamais foi real. Como se explica a saudade de alguém que nunca se tocou, nunca se sentiu, nunca esteve aqui para deixar saudades? Pois é...só algumas pessoas conseguiriam entender. Essa saudade me acompanha e acompanhará sempre tanto quanto a saudade dos amigos, da infância, do cachorro que me amou fielmente, vai estar sempre em mim. Saudades dele, daquele ser tão além imaginação, que ficou tão além da realidade, aquele que sempre vai existir em mim! "Encontrar não sei o que, não sei onde, para resgatar algo que nem sei o que é e nem onde perdi".

Não poderia ser melhor para finalizar esse post...

A conclusão disso tudo nem é preciso falar, todos já sabem, e cada um carrega o seu fardo de saudade. Cabe a cada um aqui interpretar como queira e pensar no que quiser, afinal, cada um tem sua história e cada um sabe o que traz dentro de si. Da minha parte, apenas um desabafo, usando como guia as palavras de Clarice Lispector. Se aliviou o que estou sentindo, ainda não saberia dizer, acho que gostaria mesmo que alguém lesse, de preferência alguém de que eu sinto saudades!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Encerramento da MITI

Em circuito desde o dia 02 de outubro, a 3ª Mostra Internacional de Teatro Infantil agitou o ânimo cultural de Cuiabá. Durante o período da MITI, foram apresentados diversos espetáculos, em vários pontos da cidade, e a entrada era a doação de um brinquedo em bom estado. Além dos grupos que vieram de outros estados do Brasil e até mesmo de outros países, a MITI ofereceu oficinas de desenvolvimento aos interessados.
Tive o prazer de prestigiar o encerramento da Mostra no último sábado, 24. A companhia em destaque era do Chile, LiberArte, brilhantemente comandada por Sergio Liberona Diaz e seu filho, Sergio Liberona Mena. O espetáculo de pantomina (teatro gestual que faz menor uso de falas possível) e bonecos ocorreu às 10h na Praça Alencastro e às 17h na Praça Oito de Abril, em frente ao Choppão.

O calor típico da capital mato grossense não espantou a criançada, os pais e curiosos que passavam pela praça. Os alunos do curso de Produção Teatral, assim como eu, foram ao encerramento no final da tarde. Lá, pudemos nos deliciar com o bom humor e talento dos hermanos chilenos. Risadas e encantos não faltaram.

Na primeira parte, cinco rotinas da pantomina clássica contaram com a participação da platéia. Após, vieram as interpretações com marionetes e muppets. Sapinhos, Bin Laden, velhinhos e para encerrar um esperto trapezista, que move olhos e boca. O condutor do espetáculo era muito carismático e mesmo com muita roupa, com o rosto pintado e suando nos quase 40 graus, não perdeu o ritmo, e não deixou os visitantes desanimarem.
A apresentação "Histórias para Imaginar" encerrou a MITI como ela merecia. Admiração e emoção pelo trabalho familiar ficaram evidentes na hora dos aplausos. Superparabéns!!!

sábado, 24 de outubro de 2009

3º Rally da Amizade

Como proposto por mim à época de criação do blog, o objetivo era atualizá-lo uma vez ao dia. Os dias passaram, os assuntos fluiram, mas não ganharam o devido espaço. Volto, na tentativa de cumprir o que eu mesma determinei. O tema de "reabertura" do Sem Editoria será o evento esportivo ocorrido semana passada, 17.10, em Cuiabá, e que movimentou pessoas de várias gerações.


Tive o prazer de assessorar e participar do 3º Rally da Amizade, rally de regularidade promovido pela Tauro Motors, concessionária da Mitsubishi, que reuniu em torno de 250 participantes em duas categorias, sendo seis carros na Master (para pilotos com experiência) e 50 na Expedition (pilotos sem experiência). O evento foi um sucesso, uma grande festa, contou com um número positivo de competidores e se consagrou como uma competição de família.

Relato a seguir a sensação de enfrentar pela primeira vez uma prova off-road. Foram aproximadamente cinco horas de trilha. Espero que venham outras!

"Como zequinha literalmente de primeira viagem, acompanhei o casal do carro 41, Tony Vitor Santos e Viviane Alves. Ambos também eram novatos em esportes de fora da estrada. Logo na saída do Cenarium Rural, às 8h, a trilha do Rally da Amizade foi tranquila. Foram aproximadamente 8 km de asfalto na saída de Cuiabá, um local já conhecido, portanto, sem dificuldades.

Após os quilômetros iniciais, começaram os erros de caminho e as estradas de chão. Nesse primeiro momento, perdemos aproximadamente cinco minutos até encontrarmos a entrada correta. Tony se garantia na pilotagem enquanto Viviane tentava entender a planilha de navegação. O conhecimento técnico deles e meu era restrito, mas a navegadora estava empenhada em ajudar o namorado e não se distraia do guia, e assim, o conteúdo se tornou mais decifrável a cada quilômetro.

Os buracos e a poeira foram as principais barreiras desse início. Trechos estreitos de terra e campos prenunciavam o que viria. Alguns carros conseguiam ultrapassar e outros se perdiam. Notei muita insegurança por parte de vários competidores. Ao verem um carro indo em determinada direção, o seguiam e depois tinham que retornar, pois todos estavam errados.

Aproximadamente 15 minutos após a saída, três carros entraram em uma chácara. Sem saída, fizeram o retorno. Embora a planilha fosse clara, estava difícil acompanhá-la. Essas dúvidas faziam os competidores perderem tempo.Um pequeno lagarto que cruzou a estrada deu um toque especial às belas paisagens formadas pelos campos que se seguiram. A partir daí os buracos se fizeram constantes. Muitos trechos com pedras e diversas pontes também foram os obstáculos. A velocidade média mantida por Tony era de 54 km.

A poeira foi a grande inimiga a ser vencida. Em determidos locais, devido ao período seco e calor que fazia, a visibilidade era praticamente nula, o que resultou na desaceleração dos carros.Um boi e alguns riachos também se misturavam ao visual. Um destaque interessante da competição foi a passagem por vilas e sítios. Os moradores acenavam e se divertiam com o rally, como frequentemente acontece em provas desse tipo. Tantos carros passando em um sábado que deveria ser pacato fez a alegria de todos.

Após 1h30 de prova, um trecho muito complicado teve de ser superado. Uma subida sinuosa de cascalho fez chacoalhar todos os veículos. A sensação de que íamos virar foi rápida, felizmente. E então veio a maior recompensa por todo esforço. Os paredões e serras da sequência formavam o cenário mais incrível que já vi. Sem palavras para explicar esse espaço verde que não pode ser visto por quem fica bitolado nas grandes cidades. O acesso é difícil, mas vale um novo passeio, apenas para apreciar. Para mim, esse foi o ápice do rally. A empolgação de nós três foi tão grande, que paramos para tirar fotos e os carros que vinham atrás começaram a buzinar, pedindo passagem.

Logo após todo deslumbre da natureza, entramos na rodovia e fizemos a primeira parada, no Vale das Águas. Ao voltarmos para a estrada, a trilha foi mais tranquila, mas só de início. As descidas tinham muitos buracos, pedras e poeira, e exigiam muita atenção de piloto e navegador. Novamente alguns pilotos se perderam, entravam em locais errados e eram seguidos, até encontrarem o caminho de volta. Tony e Viviane vinham concentrados no trajeto e na planilha e pouco puderam admirar da natureza, que ainda marcava presença com toda sua plenitude.

No segundo neutro o calor estava escaldante. Após essa parada a maioria da trilha era de estradas retas, beirando fazendas, e o que dominou foi a poeira dos competidores da frente.Tenho certeza que assim como eu, todos que esperavam belo um visual nos 190 km de trilha tiveram as expectativas superadas. Como prometido pela direção técnica do rally, a trilha foi um grande diferencial. Para Tony a competição foi uma ótima oportunidade para verificar o desempenho da sua Triton. Viviane revelou o desejo de aprender mais sobre a técnica da navegação e competir em outros rallys. E eu compartilho todas as sensações experimentadas”.

domingo, 20 de setembro de 2009

Um gaúcho é só saudade longe das coisas do pago

"Eu sou campeiro e conheço esse chão
De tanto andar encontrei meu rincão
Cavalo bom no potreiro, churrasco e um bom chimarrão
São valores que um gaúcho guarda no seu coração"
**********
"Patrão Velho, muito obrigada
Por esse céu azul
Por essa terra tão linda
Pelo Rio Grande do Sul"
**********
"Eu quero andar nas coxilhas sentindo as flechilhas das ervas do chão
Ter os pés roseteado de campo ficar mais trigueiro como o sol de verão
Fazer versos cantando as belezas dessa natureza sem par
E mostrar para quem quiser ver um lugar pra viver sem chorar
É o meu Rio Grande do Sul céu, sol, sul terra e cor
Onde tudo que se planta cresce o que mais floresce é o amor"

Sentimento de liberdade e patriotismo

Como a aurora precursora
Do Farol da divindade
Foi o vinte de setembro
O precursor da liberdade

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda a terra

Mas não basta p’ra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo


Este é o hino Rio-Grandense (Letra: Francisco Pinto da Fontoura; Música: Joaquim José de Mendanha), sempre entoado com muito louvor pelo povo gaúcho. Hoje, 20 de setembro, ele foi cantado com muito mais amor em todas as cidades do Rio Grande do Sul e provavelmente também pelos gaúchos espalhados pelo mapa do Brasil.

O mês de setembro sempre foi muito importante para os tradicionalistas gaúchos e o dia 20 representa a data máxima para o Estado e para o orgulho do povo. Hoje encerra-se a Semana Farroupilha, iniciada no dia 13 de setembro em todas as localidades do Rio Grande, desde o menor distrito até a Capital.

Esse momento de festa ocorre em todos os recantos como forma de relembrar a Revolução Farroupilha iniciada em 1835 e que durou 10 anos pelas paragens do nosso Estado, atingindo inclusive a fronteira com Santa Catarina. A minissérie da Globo, A Casa das Sete Mulheres, retratou parte dessa revolução. Quem assistiu deve lembrar do que se trata e entender um pouco a que estou me referindo.

A Revolução Farroupilha foi um marco da história e formação política do Estado. Por isso, a Assembleia Legislativa definiu o dia 20 de setembro como feriado. Como sempre saudosista e ligada aos eventos desse cunho, não posso deixar de lembrar do meu Estado e de todas as Semanas Farroupilha que frequentei durante os 17 anos que morei em Bagé.
As festividades começaram no último domingo com a chegada da Chama Crioula à cada município. Milhares de cavaleiros se deslocam até Porto Alegre para buscar uma centelha dessa chama que simboliza a Revolução. Dias, semanas em comitiva na estrada, a cavalo. Alguns, dependendo da distância, cavalgam bem mais que os outros. Esse grupo responsável por buscar a chama, retorna no dia 13 de setembro. Em cada cidade, em local pré-definido, geralmente uma praça histórica, milhares de pessoas já aguardam pela sua chegada.

Às 18h em ponto iniciam-se as comemorações, com a entoação do Hino Nacional e do Hino Rio-Grandense. Após, um representante de cada CTG da cidade colhe uma parte dessa chama e leva para cultuar no seu Centro de Tradições. A chama principal fica acesa na praça até o dia 20. São montados acampamentos de cada CTG que se revezam para não deixar a chama apagar.

Os sete dias são marcados por muita festa, comemoração, música tradiconalista, apresentação de invernadas, rodeios, churrasco em fogo de chão, chimarrão, poesia, entre outras festividades. Enquantos uns ficam no CTG, outros ficam nos acampamentos, outros aparecem a noite para prestigiar os shows, e por aí vai. É uma reunião do povo gaúcho para preservar o legado deixado por nossos antepassados. O momento é de reverenciar.

Tudo isso culmina com o desfile do dia 20. Na ocasião, os diversos grupos tradicionalistas, CTGs ou piquetes vão às ruas, devidamente pilchados, mostrando a imponência de seus cavalos, charretes e prendas. A organização fica por conta do Movimento Tradicionalista Gaúcho, órgão maior de fiscalização de CTGs, que também avalia a beleza, organização e número de participantes de cada Centro.

As pessoas que não participam se reunem para assistir ao desfile na avenida principal da cidade. Palco de autoridades governamentais também é montado. Envolvem-se nessas festividades crianças (algumas com menos de um ano de idade) até idosos, acostumados com a vida do campo. A Semana Farroupilha é a demonstração de igualdade, consciência viva e respeito à história!

Em Bagé, os tradicionalistas se reunem todo ano na Praça das Carretas, e desfilam pela Avenida Sete de Setembro. Não há como não sentir saudades desses momentos. A essa hora ainda devem estar nos acampamentos da Praça, curtindo os últimos shows e andando a cavalo no contorno. Amanhã é segunda-feira. Tudo recomeça, tudo volta ao normal, mas o sentimento




HISTÓRIA - Por Emília Fernandes

A Revolução Farroupilha, iniciada em 20 de setembro de 1835, e que durou cerca de 10 anos, envolveu em sucessivos e espetaculares combates, segundo os historiadores, cerca de 20 mil homens e mulheres em luta, resultando na morte heróica de aproximadamente 3.500 pessoas, em sua maioria revolucionários.

Unindo e mobilizando os farrapos, sob a liderança de homens e mulheres do porte de Bento Goançalves, Giuseppe Garibaldi, David Canabarro, Antônio da Silva Neto, Domingos Crescêncio e Anita Garibaldi, estava o sentimento de rebeldia contra a centralização do Poder Federal, que se manifestava, de forma especial, na espoliação econômica da região.

Entre as principais causas do levante, estavam a penalização dos produtos agropecuários, especialmente o charque, com altos impostos e, também, a expropriação e desvio dos recursos acumulados no Estado, até mesmo para pagar dívidas federais junto à Inglaterra.

Mas, além disso, a Revolução Farroupilha transformou-se em um momento de construção e afirmação dos princípios sociais, políticos, econômicos, culturais, e, talvez, principalmente ideológicos, que orientam a sociedade gaúcha até hoje.

Apesar da guerra, do ataque constante do poder imperial, os rebeldes farrapos mantiveram a atividade econômica, desenvolveram as estruturas de poder, tanto civil quanto militar, e introduziram revolucionárias práticas democráticas.

Em 1837 e 1838, libertaram os escravos, que haviam participado da revolução; reduziram os impostos sobre exportação e restabeleceram o imposto sobre importação de gado; criaram uma fábrica de arreios e outra de curtir couros e promoveram o recenseamento da população.

Ainda, dentre as medidas mais importantes, institui-se a Assembléia Constituinte e o sistema eleitoral baseado no sufrágio universal, com voto obrigatório e apuração perante o povo reunido. O processo revolucionário, em sua radicalidade, também foi determinante para aprofundar a definição do perfil da mulher gaúcha, que, no rigor da guerra, destacou-se pela determinação, iniciativa, objetividade, ousadia e coragem.

Além daquelas que participaram diretamente da revolução, milhares de mulheres, na ausência dos homens, deslocados para a guerra, passaram a responder integralmente pelas atividades produtivas, pelas questões sociais, pela administração das propriedades e pela educação da família, bem como, todas as demais responsabilidades.

A Revolução Farroupilha não teria sucesso sem a participação também heróica, dessas milhares de mulheres anônimas. Aliás, arrisco dizer que, considerando o fato do Rio Grande ter vivido praticamente 100 anos em guerras fronteiriças constantes, a história do Estado, e mesmo do Brasil, seria diferente, não fosse a atuação da mulher.

A Revolução Farroupilha, portanto, deixou muitos ensinamentos, dentre os quais, certamente, destacam-se o sentimento de soberania em relação ao poder central, o profundo espírito de integração da sociedade com o poder público e um grande senso de patriotismo.

Tal reconhecimento ensejou ao povo sulino, sensorialmente, o sentimento de firmeza de caráter e de ação dos seus ancestrais, sensibilizando-o como um seu predestinado continuado no tempo e no espaço.

sábado, 19 de setembro de 2009

Ela lava, ele enxuga


O Sesc Arsenal, localizado no bairro Porto em Cuiabá, tem sido palco para diversas atrações de cunho cultural. A integração entre arte e sociedade fica estampada logo na entrada. Um belo jardim, inúmeras salas para diferentes fins e mesas dispostas no vão central dão ao local um ar de magia e socialização.

Ao chegar lá na sexta-feira, 18, já pude notar o clima envolvente e a preferência dos cuiabanos pelo espaço para sair, relaxar e jantar com a família e amigos. O local virou ponto de encontro por proporcionar boa música, bom atendimento e espetáculos gratuitos em ambiente agradável ao ar livre.

Nessa noite, a Cia. Thereza João apresentava na sala de Teatro a peça Ela lava, ele enxuga. Como admiradora e amiga fui prestigiar o trabalho dos talentosos João Manuel e Thereza Helena. Baseado em contos e crônicas de Fernando Sabino, o espetáculo contou ainda com a presença do ator Frank Busatto.

As ações se passavam em uma cozinha e arrancaram muitos risos da platéia. Além da raiz cômica, os textos são reflexos do nosso cotidiano ou de situações pelas quais todo mundo já passou um dia. O ambiente doméstico foi escolhido como cenário por ser um local de convívio entre esposa/ marido, pais/ filhos.

O fio condutor de todos os contos que se sucediam era o olhar masculino a cerca de características femininas. A capacidade da mulher de enfeitiçar, persuadir e olhar ironicamente para os homens foram interpretados ora com ações, ora com narrações.

O cenário foi muito bem planejado com poucos objetos que cumpriam perfeitamente seu papel. O destaque fica por conta da trilha sonora alternativa. Todos os sons foram produzidos através dos próprios utensílios da cozinha, como armário, talheres e pratos. A criatividade dos atores merece aplausos, que encheram o palco de magia e mostraram que o teatro é a união de várias artes.

Abaixo, um trecho do conto Ela lava, ele enxuga:

— Eu hoje quero jantar fora — foi declarando, categórica, quando ele lhe abriu a porta.

— Onde você andou? — perguntou ele, dando-lhe passagem.

— Fui ao cabeleireiro. E você? Tentei te avisar o dia todo.

— Me avisar o quê?

— Que eu queria jantar fora.

— Vim mais cedo para casa. Como não te encontrei...

— Nem podia encontrar, pois eu estava no cabeleireiro.

— Eu sei, você já falou. Não te encontrei, e estava com fome...Que é que ele queria dizer? Que já havia jantado?

— Jantado, propriamente, não. Como estava com fome, fritei um ovo, e tinha um resto de arroz na geladeira... Não achei mais nada.

— Não achou nada porque eu não vim fazer o jantar.

— Estou sabendo. Foi ao cabeleireiro

— Isso mesmo. Fui e hoje eu quero jantar fora — insistiu ela: — Não venha me dizer que você não vai me levar só porque comeu um ovo.

— Calma, minha filha — fez ele, evasivo:

— Jantar onde? Você nem acabou de chegar da rua e já quer sair de novo. Que diabo de penteado é esse?O comentário final foi a gota d'água — ela, que esperava dele um elogio pelo penteado.

— Não pensa que você me leva na conversa — protestou, indignada: — Eu quero saber se vai me levar para jantar. Se não vai, diga logo, que eu vou sozinha.Um tanto temerária, aquela afirmativa, admitiu ela para si mesma: jantar sozinha como? onde? com quem? e pagar com quê?— Estou com fome... — choramingou, para ganhar tempo.

Ele fora sentar-se diante da televisão, indiferente, enquanto ela ficava por ali, lamuriando a sua fome.

— Vê se encontra aí qualquer coisa para comer, como eu fiz — ele se limitou a dizer.

Ela botou as mãos na cintura e sacudiu com raiva a cabeça, ao risco de desmanchar o penteado:— Olha bem para mim e vê se me acha com cara de arroz com ovo.

— Ovo, só tinha um — ele ria, o cínico! — E o arroz já era.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O Sorriso de uma Criança

Entre tantos assuntos que eu poderia ter escolhido para publicar meu primeiro post pra valer, como o caótico trânsito de Cuiabá ou a alegria por termos fechado mais um contrato hoje, nada poderia me deixar mais feliz do que o que aconteceu sem eu esperar!!! E que merece fotos e comentários...
Depois de alguns anos, finalmente estive perto dos meus dois sobrinhos mais novos e lindos, e pude exercer meu "cargo" de tia. O João Pedro tem dois anos e meio, e o conheci há duas semanas. É essa coisa gostosa e loira na piscina de bolinhas aí embaixo.
O Luis Felipe vai completar cinco anos daqui há dois meses, e a primeira e única vez que eu o tinha visto foi em outubro de 2005. É essa coisa gostosa e morena aí embaixo, com o pai tirando carne do dentinho. O Felipe é a cara do Sandro quando era pequeno. Impossível dizer que esse não é pai. De quebra é a cara da tia também...
Nada poderia ter me deixado mais feliz do que esse reencontro, e espero que o primeiro de muitos. Larguei tudo, larguei o escritório, as obrigações e fui encontrar meu irmão, passear no shopping com os pequenos e depois jantar e aproveitar o play do restaurante.
Ouvir os dois me chamando de "tia" valeu o dia pra mim. Dane-se o trabalho que ficou atrasado, amanhã resolvo tudo. O mais importante é desfrutar da companhia dessas pequenas pessoinhas, que alegram a vida de qualquer um. A vida nem sempre é como esperamos, e estar longe deles não foi escolha minha. Espero que agora a proximidade geográfica me permita virar cada vez mais tia.

O Nascimento de um blog

Quando se pensa em nascimento, imediatamente associa-se à imagem de uma mãe e um filho recém chegado ao mundo. Até chegar esse dia tão aguardado pelas mulheres, nove meses sem passaram. Com esse blog não foi diferente. Foi aproximadamente esse o tempo que ele levou para ficar pronto. Tive vontade de criá-lo desde as aulas do querido Rogério Mosimann na terceira fase da faculdade. No entanto, os blogs experimentais feitos em sala não me atrairam, sem futuro. Acho que matei muita aula para ficar no barzinho ou me distrai das explicações por causa do MSN.

Com a utilização cada vez maior de ferramentas da internet, o blog se tornou uma fonte de informação e uma forma de qualquer pessoa manifestar opinião. Fácil acesso, sem fiscalizações, sem obrigações. Cada um fala o que quer. Em uma época que a liberdade de expressão é tão discutida então, nem se fala...O Mosimann já alertava sobre a ascensão dos blogs e o poder da informação através deles frente à sociedade. Ensinou todas as técnicas e tudo que era novidade na época (nem faz tanto tempo, foi em 2006). Confesso que não lembro da muita coisa.

De lá para cá, pensei inúmeras vezes em criar o MEU blog. De 2008 em diante, a vontade bateu mais forte, mas eu ainda não sabia como direcionar, que assunto tratar. Ideias mil, e poucas conclusões. Deixei o tempo passar até o dia que me senti madura para ser "mãe". Acho que agora estou pronta!

Anotei lá no cantinho da agenda: criar blog. Era um dos meus objetivos até o final de 2009. E vim trabalhando a ideia na minha mente, assim como se forma a ideia de ser mãe, e aceitar o que vem pela frente, pensar de que forma será útil, pensar nas possibilidades de criação, como proceder, enfim...

Em uma noite de insônia tomei a decisão. Articulei possíveis nomes e assuntos, e agora apresento a vocês o Sem Editoria. Devido à versatilidade de gostos, seria impossível abordar apenas um assunto neste espaço. Talvez ele fique de fora da lista de blogs com aprofundamento em assunto específico, mas certamente vai passear por uma diversidade de fatos, momentos e sensações.

É possível que as indignações do que se vê no dia a dia me façam escrever sobre temas sérios, mas a proposta é que esse seja um blog leve e informativo. Não adianta...não sou jornalista de assuntos considerados sérios em detrimento de outros. Minha área é cultura, música, esportes, etc... Eles não deixam de ser sérios, mas também são leves. Enfim, espere ver de tudo por aqui. Inclusive uma agenda cultural, com dicas do que rola de melhor por aí. Quem sabe daqui um tempo com o desabrochar do blog e da autora, ele assuma uma identidade específica. Posso descobrir uma paixão maior que as outras, ou talento maior para determinada área. Isso virá com o tempo. Ou pode ser que a identidade do Sem Editoria seja essa mesma, não ter editoria.

A meta é postar pelo menos uma vez ao dia. Com o mundo em plena ebulição, assunto não vai faltar. Aceito sugestões, inclusive de como utilizar algumas ferramentas. Se elas existem, vamos explorá-las! Se alguém quiser me ensinar a modificar layout e dar uma cara exclusiva ao blog, vou adorar!

Parafraseando Pedro Bial, "espie à vontade".