sexta-feira, 23 de abril de 2010
Observações
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Por que reconhecer o outro incomoda tanto?
Por: Claudinet Antônio Coltri Júnior
O fato é que há um despreparo descomunal no quesito reconhecimento. Ele é de suma importância para o ser humano. Ser reconhecido é ter a chance de ver novamente. Vemo-nos muito pouco (só quando nos olhamos no espelho - as mulheres se veem mais que os homens, é verdade). Quando alguém nos reconhece, nos vem a sensação de sermos parte, de sermos importantes, de termos valor e, assim, nos possibilita reconheçamo-nos (re-conhecer, ou seja, conhecer novamente). Portanto, quando você reconhece o trabalho de alguém, o que vale é a criação do ambiente para que a pessoa se encontre.
Por outro lado (somos dois contra a parede e tudo tem três lados, Skank, Três lados), existe aquele (e não são poucos) que veio ao mundo na ânsia de ser Deus (tem o que acha que é e há o que tem certeza). Esse não tem o superego, tem um "teraego". Assim, os empresários não estão de todo errados, pois há pessoas que realmente criam problemas ao ter o seu trabalho enaltecido. Como diz o popular: "Ficam se achando".
Muitas vezes nos deparamos com deturpações conceituais. Priorizamos o novo em detrimento do moderno. O moderno é algo atual, que vale, e que pode ter sido criado há milênios. O novo, nem sempre. O dilema reconhecer ou não reconhecer já era conhecido e tratado pelos romanos, na antiguidade, mas o conceito ainda é válido. Lá, quando um general ganhava uma batalha, seu exército ficava do lado de fora das muralhas enquanto o "chefão" adentrava em direção ao Senado para receber uma bandeja de prata com palmeiras, ou seja, uma salva (bandeja) de palmas. Era uma honra incomparável (tanto que o Domingo de Ramos é a ovação a Cristo com folhas de palmeiras que foram usadas para cobrir o chão por onde Ele passava).
O percurso era feito em uma biga (carro romano puxado por dois cavalos), que era conduzida por um escravo. Por força de lei, a biga era acompanhada por outro escravo que ia a pé e que, a cada quinhentas jardas (aproximadamente 455 metros), tinha que subir na biga e falar ao ouvido do general a seguinte frase: "Lembra-te que és mortal!"
É bom que se diga que cada um de nós não é bom, nem ruim, não é competente tampouco incompetente. Cada um de nós está! Na língua inglesa o ser/estar andam juntos (to be), o que é bom, pois somos (hoje) o que estamos. Mas a língua portuguesa, na riqueza que lhe é peculiar, nos permite ver, ao separar o ser do estar, que podemos mudar, que a situação é de momento. Você pode estar usufruindo o maior sucesso, mas se não cuidar dele, pode entrar em derrocada em pouco tempo (lembra-te que és mortal). Você pode estar vivendo um momento difícil da vida, mas, dependendo das suas atitudes hoje, você poderá em breve se deliciar de novas sensações de sucesso (o futuro muda o tempo todo em função das nossas atitudes de hoje).
Assim, temos que encontrar o equilíbrio entre o lembrarmos que somos mortais quando as coisas estão a nosso favor e, ao mesmo tempo, lembrarmos que somos centelha (fagulha, faísca, uma parte de) divina. Há os que acham que são mais do que são. Há os que acham que são menos do que são. É preciso equilibrar o que você é com o que você pensa que é. Pessoas que encontram esse caminho do meio são mais felizes.
Minha sugestão aos empresários é que contratem alguém para berrar, que seja, no ouvido do seu colaborador que acha que o mundo gira em torno dele, o "lembra-te que tu és mortal". O investimento vale a pena, visto que a maioria de seus colaboradores está esperando um simples: "muito bom trabalho!" para poderem sair do extremo "eu não valho nada", irem ao meio "eu sou útil" e, assim, obter maiores resultados. Reconheça-se (e lembra-te que é mortal!). Reconheça o outro (mesmo tendo que lembrá-lo, também, que ele é mortal!).
Claudinet Antônio Coltri Júnior é palestrante; consultor organizacional; coordenador da área de gestão da Educação Tecnológica do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br - E-mail: junior@coltri.com.br - Twitter: http://twitter.com/coltri
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Show de mau gosto em playback
Tive o desprazer de assistir um bloco do Altas Horas no último sábado (06.02) e confirmar algo que eu já sabia. Deixe-me explicar: não é desprazer algum assistir ao Altas Horas, pelo contrário, como o slogan já diz: vida inteligente na madrugada! Porém, entre os tantos convidados interessantes que circulam por lá, no final de um dos blocos o Serginho chamou a estrela internacional Beyoncé. quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Absurdo: reajuste de salário para ministros
Não me interessa se eles definem os rumos da política, da sociedade, da economia, se atuam em conjunto para o "bem da Nação". Isso não me convence! Muita gente que não tem um décimo desse salário depositado todo mês em sua conta bancária faz muito mais em prol da sociedade que os queridos ministros. Cidadãos, pessoas batalhadoras, de caráter, que no dia a dia tomam decisões profissionais e familiares, que educam os filhos, praticam filantropia, dedicam seu tempo a cuidar de crianças abandonadas, de idosos, de necessitados...esses sim, são os que movimentam verdadeiramente as estruturas de um país. São eles que fazem a diferença e não pessoas iguais ao Gilmar Mendes, que acreditam cegamente e dizem que jornalista não precisa ter diploma porque não tem conhecimento técnico (é isso que ele vai fazer lá?).
Enquanto o presidente do Supremo gasta seu tempo analisando essa questão, há pessoas do lado de fora sobrevivendo e sustentando famílias com um mísero salariozinho de R$ 500. E olhe lá os que ainda têm isso. Conheço gente que vive com menos! Não satisfeito, o excelentíssimo procurador-geral da República também levou uma fatia do bolo dos que alcançam o teto salarial. Cuidado, senhores, a cabeça de vocês já está batendo no teto, não dá mais pra subir nesse momento!
domingo, 24 de janeiro de 2010
No Meio de Tudo, Você!!!
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O Anjo das Pernas Tortas
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Animais: fontes de felicidade
Os personagens ao lado estão entre as minhas maiores paixões. Esses da foto especificamente são simbólicos, apenas representam duas espécies de animais que eu gosto muito. Hoje eu quero falar deles. Ontem fui caminhar no Parque Mãe Bonifácia, local onde ainda é possível respirar um pouco de ar puro, acelerar o metabolismo e ter a agradável surpresa de se deparar com alguns bichinhos. Em geral, vejo por lá uns simpáticos macaquinhos, mas ontem encontrei um animal doméstico, que destoa da paisagem.
No meio da trilha onde o pessoal corre, caminha ou passeia, avistei um gatinho preto, menor que a minha garrafa de água. Como uma apaixonada enlouquecida, tive que parar para fazer um carinho. Preto, pêlos arrepiados pela chuva e cara de assustado. Certamente, fora abandonado ou estava perdido nas bandas de lá, embora alguém tenha insistido em dizer que ele pertencia ao prédio ao lado. Duvido!
O fato é que meu coração se corta ao ver tal cena. Sempre fui fraca pra isso, ainda mais considerando o tamanho do bicho, indefeso, que não teve tempo suficiente para aprender a sobreviver nesse mundo cruel e competitivo. Se eu pudesse, levaria comigo, nem que fosse para dar uma voltinha no parque, e deixaria ele de volta no lugar, mas a sensibilidade me pegaria, e eu me apegaria. Infelizmente não posso levar para casa, cuidar e criar.
Depois de ir embora, contei algumas histórias de infância pro meu amigo, todas envolvendo as peripécias com gatos e cachorros, histórias que justificam minha paixão, meu apego. À noite ao falar com minha mãe, fiquei sabendo que ela (coração sensível também) já adotou mais dois gatos que apareceram em casa. O animal vai chegando, chegando, e quando vemos, já está lá, fazendo parte da família. Acho que não há dúvida que puxei à mãe!
Esse gatinho inocente e tantos outros animais que estão na rua atualmente, só comprovam a falta de preocupação do ser humano. Por mais difícil que seja criar um "mundaréo" de bichos, alimentar e evitar a reprodução desenfreada dos mesmos, abandonar um ser vivo na rua é muita falta de amor. Se não tiver como criar, procure alguém interessado em adotar, sempre tem gente com interesse. Só não procure meios de se livrar de uns seres tão fofos e companheiros, que verdadeiramente demonstram afeto e amor por quem os cria. Esses animais fazem a alegria das pessoas, alegram as casas, os filhos, ocupam o lugar deles no espaço e sabem recompensar aqueles que os alimentam e os deixam viver. Respeite os animais e faça tudo que puder pela sobrevivência deles! Falei???
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Mãe, esposa, profissional, empresária e amiga: mulher moderna

O que leva um jornalista a montar a própria empresa?
Diploma de jornalista tem algum valor? Para quê? Você defende ou não a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo?
Você lê qual ou quais revistas? E por quê?
Mato Grosso é um estado promissor ou uma parte disso é marketing?
Qual é o principal problema social no bairro onde você mora?
Qual das sete artes - literatura, pintura, música, teatro, escultura, dança e cinema - você mais aprecia?
Aborto é crime?
A família deve ser liberal ou autoritária?
Camisinha incomoda na hora da transa?
A melhor matéria tem quais elementos?
Os jornais mentem quanto: numa escala crescente de 0 a 10?
Você é do tipo que se incomoda com tudo que anda errado ou mais desligada?
Qual é o mal deste século?
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Se a vida começasse agora, se o mundo fosse nosso de vez...
Planeta Atlântida, 14 anos agitando o Sul do Brasil
Rei do Rock, certamente fazendo alguns shows pra galera lá de cima- O Rei do Rock, indiscutivelmente, Elvis Presley, faria 75 anos caso estivesse vivo. Infelizmente já ocupou seu lugar no ceú há 33 anos. Acredito eu que ele ainda faça alguns shows por lá, para animar a galera da vida eterna, afinal, sem música não dá pra viver (ou morrer). Enfim..o fato é que o músico partiu antes mesmo de eu nascer, e até hoje é uma fonte rentável, vende diversos LPs e CDs e a empresa que administra tudo isso continua lucrando muito às custas do sucesso que o cara fez enquanto estava por aqui. Eu, particularmente, sou a favor, afinal, quem curte o som dele, não vai deixar de curtir porque ele se foi e certamente, continua adquirindo os discos e toda gama de produtos fabricados (até uma barbie alusiva será lançada, acreditam?).
- Bom...fazendo história aí também o maior festival de música do Brasil, o Rock in Rio, que completou 25 anos da primeira edição, na segunda-feira, 11. O evento, que mais parecia uma insanidade do idealizador Roberto Medina, acabou reunindo 150 mil pessoas por noite (foram dez dias de festival) e passou o público registrado no lendário festival de Woodstock em 1969. Não é brincadeira né?! Quem pode, pode.
E o fato é que a ideia deu certo e sete edições da festa já ocorreram, não se limitando apenas ao Brasil. O país de origem sediou três, Portugal outras três e a Espanha uma edição. Rock in Rio conquistando o mundo... E não foram poucas as figurinhas que por aqui passaram, não. Iron Maiden, Queen, AC/DC, Scorpions e Ozzy Osbourne foram alguns dos nomes que tornaram a festa o maior sucesso.
A previsão é que o festival retorne para o berço em 2012. Os apaixonados pelo agito mal podem esperar a confirmação e aposto que já começam os preparativos e planejamentos para marcar presença. Especulações dão conta de que talvez o mega evento não se realize no Rio de Janeiro, mas sim, em São Paulo. É esperar para ver!
E as reclamações quanto à escalação das bandas já começam a aparecer. Como em tudo que diz respeito à comercialização, nesse caso não é diferente: querem chamar o que o povão gosta de ver, o que vende, sendo assim, aparecem uns seres que nada tem a ver com rock and roll. Lembrando que o público do rock é fiel, portanto, não deixa os ídolos de lado para curtir modinhas. Eu ouvi falar em Xuxa no Rock in Rio??? Deprimente...
- E para fechar a primeira quinzena de janeiro com chave de ouro, outra data importante. No circuito musical brasileiro há quase 15 anos o maior festival do Sul do país, o Planeta Atlântida. Começa amanhã a edição catarinense, em Floripa, meu antigo porto, e até sábado inúmeras atrações passam pelos palcos da festa de verão.
Esse eu conheço um pouquinho melhor, já tive a oportunidade de prestigiar nos anos anteriores e infelizmente, não poderei estar presente desta vez. Nem tudo é possível, não é?! Mas de qualquer forma, acompanho tudinho à distância. Nada como estar lá e sentir na pele, não sou apenas uma mera reprodutora do que leio e ouço falar. Mas sim, tenho o meu olhar e posso relatar coisas que nem todos observam.
Planeta é mágico e aguardado o ano inteiro por quem aprecia o festival. Mas a galera também anda reclamando muito aí das atrações. Está cada vez mais popular, e cada vez menos rock and roll. Só Vitor e Léo ou Ivete Sangalo que conseguem levar 40 mil para o parque Planeta? Eu espero que não, e deixo aqui a dica para que a essência do festival não se dissolva e ele não perca o público alvo: chamem Nando Reis, Titãs, Frejat e gente desse naipe para tocar. Sertanejo e pagode não são a cara do Planeta!
Mês que vem o festival está chegando no Rio Grande do Sul também, local onde iniciou as atividades em 1996. Galera de Atlântida e arredores terão duas noites para curtir tudo de bom que a vida tem a oferecer. É isso aí...o Sol brilha no mar e reflete...Na esperança por dias melhores!!!
sábado, 2 de janeiro de 2010
Entra ano e sai ano...
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Saudades de Clarice Lispector

Hoje é dia 23 de dezembro, aqui em Governador Celso Ramos (SC) são 23h54. Já é quase véspera de Natal, e eu estou em casa sem NADA para fazer, presa, portanto, não há melhor oportunidade para retornar ao Sem Editoria. Enquanto fico remoendo minha raiva por estar sozinha e não ter ido para lugar algum com meus amigos, encontrei um email perfeito para este post e para expressar o que senti neste dia.
Dentre tantos emails não lidos do gmail, resolvi abrir um com o título "Clarice Lispector". Pelo assunto, se tratando de uma grande escritora, o email devia ser interessante. Abri ao invés de excluí-lo. Foi enviado para mim no dia 07 de novembro e só hoje tomei vergonha na cara para ler, frente à monotonia da minha noite, e não à correria rotineira.
O poema chama "Sinto Saudades". Nada poderia me tocar mais neste momento. Pensei muito nisso hoje a tarde, comentei algo com um amigo. Todo mundo sente saudades de alguma coisa, de algo que aconteceu há muitooooooo tempo, de algo recente, ou de algo que ainda está acontecendo, mas que já deixa sua poderosa marca. Incrível como o poema consegue traduzir cada saudade reprimida, cada saudade esquecida...
Quem não sente saudades quando vê fotografias? Elas são tiradas para registrar os momentos, e quando nos deparamos com as imagens, é como se voltássemos para o passado. Os momentos podem ter sido maravilhosos, e mesmo assim as lágrimas teimam em cair do rosto, pois justamente por terem sido especiais é que sentimos saudades.
Quem não sente saudades quando sente cheiros ou escuta uma voz? Eu, particularmente, tenho olfato muito aguçado para isso. Qualquer essência que tenha marcado época em minha vida, como um shampoo, o perfume de alguém especial, traz à tona diversas lembranças. Se percebo o cheiro de um shampoo que usei em determinada época, não é do banho que irei lembrar, mas sim de tudo que ocorreu quando eu usava aquele shampoo, dos amigos que eu via todo dia, dos locais que eu frenquentava e de todas as sensações dos dias que eu vivia. É normal isso? Não sei, mas comigo acontece!
Saudades da infância...acho que essas são as mais presentes para a maioria das pessoas. Essa é a época em que éramos felizes e não sabíamos e ainda reclamávamos de tudo. Recuperar aqueles momentos nunca será possível, por isso, é preciso vivê-los intensamente, para trazer só as coisas boas para a vida.
"Saudades do presente que não aproveitei pensando no passado e apostando no futuro". Putz! Essa é realmente para matar! Quem nunca viveu e não vive assim mesmo sabendo que não é correto, que atire a primeira pedra! Sempre achamos que o hoje vai melhorar no amanhã, sempre criamos expectativas, choramos as lembranças boas ou ruins e acabamos deixando o presente passar, sem dar muita importância a ele. Mas esquecemos que o presente já foi o futuro esperado um dia, e amanhã será o passado lembrado.
"Saudades de quem me deixou e de quem eu deixei". Esse foi o grande tema na minha mente desocupada de hoje. Fiquei pensando em todos os amigos que preciso rever, todos que já foram tão fundamentais em minha vida, e que hoje longe, continuam sendo saudosos amigos, lembrei da confusão que minha mente faz em já não saber mais da onde conheço tal pessoa e precisar parar pelo menos por dois segundos para fazer a associação: amigos de Bagé, amigos de Floripa, amigos de Cuiabá ou outros...
Mais interessante foi descobrir nesses dias de "férias" em Santa Catarina, que já sinto saudades de algumas coisas e pessoas que deixei em Cuiabá. Isso é incrível. Sete meses em uma cidade que não curto muito, que fiz poucos amigos, mas que já me deixa marcas. Deveria era estar mais feliz ainda por estar de volta à minha última morada, perto da maioria dos meus amigos, e ainda pensando em todos que estão espalhados pelo Rio Grande do Sul e outras cidades. Preciso admitir: estou com saudades! E acho que tudo é cíclico, rotatório, ou ainda como diria Humberto Gessinger:
"Agora que a terra é redonda
E o centro do universo é outro lugar
É hora de rever os planos
O mundo não é plano
Não para de girar
Agora que o tempo é relativo
Não há tempo perdido
Não há tempo a perder
Num piscar de olhos
Tudo se transforma
Tá vendo? Já passou!
Mas ao mesmo tempo
Fica o sentimento
De um mundo sempre igual"
(Além da Máscara - Pouca Vogal)
As músicas dele sempre traduziram bem melhor do que poemas tudo que eu sinto. Elas me tocam muito mais pois além de poesia e realismo, possuem melodia. Perfeita!
Mas voltando à saudade proposta pela Clarice Lispector
"Saudades das coisas que nem sei se existiram". Essa frase é uma das mais certeiras pra mim. Tomando como base uma relação que vivi, que marcou minha vida de forma muito intensa, e que não consigo definir se existiu. Para mim sim, mas tudo ilusório, jamais foi real. Como se explica a saudade de alguém que nunca se tocou, nunca se sentiu, nunca esteve aqui para deixar saudades? Pois é...só algumas pessoas conseguiriam entender. Essa saudade me acompanha e acompanhará sempre tanto quanto a saudade dos amigos, da infância, do cachorro que me amou fielmente, vai estar sempre em mim. Saudades dele, daquele ser tão além imaginação, que ficou tão além da realidade, aquele que sempre vai existir em mim! "Encontrar não sei o que, não sei onde, para resgatar algo que nem sei o que é e nem onde perdi".
Não poderia ser melhor para finalizar esse post...
A conclusão disso tudo nem é preciso falar, todos já sabem, e cada um carrega o seu fardo de saudade. Cabe a cada um aqui interpretar como queira e pensar no que quiser, afinal, cada um tem sua história e cada um sabe o que traz dentro de si. Da minha parte, apenas um desabafo, usando como guia as palavras de Clarice Lispector. Se aliviou o que estou sentindo, ainda não saberia dizer, acho que gostaria mesmo que alguém lesse, de preferência alguém de que eu sinto saudades!
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Encerramento da MITI
sábado, 24 de outubro de 2009
3º Rally da Amizade
Como proposto por mim à época de criação do blog, o objetivo era atualizá-lo uma vez ao dia. Os dias passaram, os assuntos fluiram, mas não ganharam o devido espaço. Volto, na tentativa de cumprir o que eu mesma determinei. O tema de "reabertura" do Sem Editoria será o evento esportivo ocorrido semana passada, 17.10, em Cuiabá, e que movimentou pessoas de várias gerações. domingo, 20 de setembro de 2009
Um gaúcho é só saudade longe das coisas do pago
É o meu Rio Grande do Sul céu, sol, sul terra e cor
Sentimento de liberdade e patriotismo

HISTÓRIA - Por Emília Fernandes
A Revolução Farroupilha, iniciada em 20 de setembro de 1835, e que durou cerca de 10 anos, envolveu em sucessivos e espetaculares combates, segundo os historiadores, cerca de 20 mil homens e mulheres em luta, resultando na morte heróica de aproximadamente 3.500 pessoas, em sua maioria revolucionários.
Unindo e mobilizando os farrapos, sob a liderança de homens e mulheres do porte de Bento Goançalves, Giuseppe Garibaldi, David Canabarro, Antônio da Silva Neto, Domingos Crescêncio e Anita Garibaldi, estava o sentimento de rebeldia contra a centralização do Poder Federal, que se manifestava, de forma especial, na espoliação econômica da região.
Entre as principais causas do levante, estavam a penalização dos produtos agropecuários, especialmente o charque, com altos impostos e, também, a expropriação e desvio dos recursos acumulados no Estado, até mesmo para pagar dívidas federais junto à Inglaterra.
Mas, além disso, a Revolução Farroupilha transformou-se em um momento de construção e afirmação dos princípios sociais, políticos, econômicos, culturais, e, talvez, principalmente ideológicos, que orientam a sociedade gaúcha até hoje.
Apesar da guerra, do ataque constante do poder imperial, os rebeldes farrapos mantiveram a atividade econômica, desenvolveram as estruturas de poder, tanto civil quanto militar, e introduziram revolucionárias práticas democráticas.
Em 1837 e 1838, libertaram os escravos, que haviam participado da revolução; reduziram os impostos sobre exportação e restabeleceram o imposto sobre importação de gado; criaram uma fábrica de arreios e outra de curtir couros e promoveram o recenseamento da população.
Ainda, dentre as medidas mais importantes, institui-se a Assembléia Constituinte e o sistema eleitoral baseado no sufrágio universal, com voto obrigatório e apuração perante o povo reunido. O processo revolucionário, em sua radicalidade, também foi determinante para aprofundar a definição do perfil da mulher gaúcha, que, no rigor da guerra, destacou-se pela determinação, iniciativa, objetividade, ousadia e coragem.
Além daquelas que participaram diretamente da revolução, milhares de mulheres, na ausência dos homens, deslocados para a guerra, passaram a responder integralmente pelas atividades produtivas, pelas questões sociais, pela administração das propriedades e pela educação da família, bem como, todas as demais responsabilidades.
A Revolução Farroupilha não teria sucesso sem a participação também heróica, dessas milhares de mulheres anônimas. Aliás, arrisco dizer que, considerando o fato do Rio Grande ter vivido praticamente 100 anos em guerras fronteiriças constantes, a história do Estado, e mesmo do Brasil, seria diferente, não fosse a atuação da mulher.
A Revolução Farroupilha, portanto, deixou muitos ensinamentos, dentre os quais, certamente, destacam-se o sentimento de soberania em relação ao poder central, o profundo espírito de integração da sociedade com o poder público e um grande senso de patriotismo.
Tal reconhecimento ensejou ao povo sulino, sensorialmente, o sentimento de firmeza de caráter e de ação dos seus ancestrais, sensibilizando-o como um seu predestinado continuado no tempo e no espaço.
sábado, 19 de setembro de 2009
Ela lava, ele enxuga
Ao chegar lá na sexta-feira, 18, já pude notar o clima envolvente e a preferência dos cuiabanos pelo espaço para sair, relaxar e jantar com a família e amigos. O local virou ponto de encontro por proporcionar boa música, bom atendimento e espetáculos gratuitos em ambiente agradável ao ar livre.
Nessa noite, a Cia. Thereza João apresentava na sala de Teatro a peça Ela lava, ele enxuga. Como admiradora e amiga fui prestigiar o trabalho dos talentosos João Manuel e Thereza Helena. Baseado em contos e crônicas de Fernando Sabino, o espetáculo contou ainda com a presença do ator Frank Busatto.
As ações se passavam em uma cozinha e arrancaram muitos risos da platéia. Além da raiz cômica, os textos são reflexos do nosso cotidiano ou de situações pelas quais todo mundo já passou um dia. O ambiente doméstico foi escolhido como cenário por ser um local de convívio entre esposa/ marido, pais/ filhos.
O fio condutor de todos os contos que se sucediam era o olhar masculino a cerca de características femininas. A capacidade da mulher de enfeitiçar, persuadir e olhar ironicamente para os homens foram interpretados ora com ações, ora com narrações.
O cenário foi muito bem planejado com poucos objetos que cumpriam perfeitamente seu papel. O destaque fica por conta da trilha sonora alternativa. Todos os sons foram produzidos através dos próprios utensílios da cozinha, como armário, talheres e pratos. A criatividade dos atores merece aplausos, que encheram o palco de magia e mostraram que o teatro é a união de várias artes.
Abaixo, um trecho do conto Ela lava, ele enxuga:
— Eu hoje quero jantar fora — foi declarando, categórica, quando ele lhe abriu a porta.
— Onde você andou? — perguntou ele, dando-lhe passagem.
— Fui ao cabeleireiro. E você? Tentei te avisar o dia todo.
— Me avisar o quê?
— Que eu queria jantar fora.
— Vim mais cedo para casa. Como não te encontrei...
— Nem podia encontrar, pois eu estava no cabeleireiro.
— Eu sei, você já falou. Não te encontrei, e estava com fome...Que é que ele queria dizer? Que já havia jantado?
— Jantado, propriamente, não. Como estava com fome, fritei um ovo, e tinha um resto de arroz na geladeira... Não achei mais nada.
— Não achou nada porque eu não vim fazer o jantar.
— Estou sabendo. Foi ao cabeleireiro
— Isso mesmo. Fui e hoje eu quero jantar fora — insistiu ela: — Não venha me dizer que você não vai me levar só porque comeu um ovo.
— Calma, minha filha — fez ele, evasivo:
— Jantar onde? Você nem acabou de chegar da rua e já quer sair de novo. Que diabo de penteado é esse?O comentário final foi a gota d'água — ela, que esperava dele um elogio pelo penteado.
— Não pensa que você me leva na conversa — protestou, indignada: — Eu quero saber se vai me levar para jantar. Se não vai, diga logo, que eu vou sozinha.Um tanto temerária, aquela afirmativa, admitiu ela para si mesma: jantar sozinha como? onde? com quem? e pagar com quê?— Estou com fome... — choramingou, para ganhar tempo.
Ele fora sentar-se diante da televisão, indiferente, enquanto ela ficava por ali, lamuriando a sua fome.
— Vê se encontra aí qualquer coisa para comer, como eu fiz — ele se limitou a dizer.
Ela botou as mãos na cintura e sacudiu com raiva a cabeça, ao risco de desmanchar o penteado:— Olha bem para mim e vê se me acha com cara de arroz com ovo.
— Ovo, só tinha um — ele ria, o cínico! — E o arroz já era.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
O Sorriso de uma Criança
O Nascimento de um blog
Quando se pensa em nascimento, imediatamente associa-se à imagem de uma mãe e um filho recém chegado ao mundo. Até chegar esse dia tão aguardado pelas mulheres, nove meses sem passaram. Com esse blog não foi diferente. Foi aproximadamente esse o tempo que ele levou para ficar pronto. Tive vontade de criá-lo desde as aulas do querido Rogério Mosimann na terceira fase da faculdade. No entanto, os blogs experimentais feitos em sala não me atrairam, sem futuro. Acho que matei muita aula para ficar no barzinho ou me distrai das explicações por causa do MSN.De lá para cá, pensei inúmeras vezes em criar o MEU blog. De 2008 em diante, a vontade bateu mais forte, mas eu ainda não sabia como direcionar, que assunto tratar. Ideias mil, e poucas conclusões. Deixei o tempo passar até o dia que me senti madura para ser "mãe". Acho que agora estou pronta!



